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Petrobras avalia ampliar refino para atender 100% do diesel no Brasil

Magda Chambriard defende novas áreas de exploração e diz que Petrobras estuda ampliar refino diante dos riscos geopolíticos para o abastecimento

A Petrobras avalia incluir em seu próximo Plano Estratégico, referente ao período de 2027 a 2031, uma ampliação da capacidade de refino que permita atender até 100% da demanda brasileira por diesel. A possibilidade foi apresentada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante o encerramento da ROG.e 2026.

A discussão ganhou espaço diante das incertezas no mercado internacional de energia. A companhia considera que conflitos geopolíticos e eventuais restrições ao comércio global de combustíveis podem aumentar a importância de uma capacidade doméstica de produção capaz de reduzir a dependência das importações.

Ao mesmo tempo, a Petrobras pretende ampliar a exploração para compensar o declínio natural da produção dos campos atualmente em operação. Magda defendeu que a perfuração de novos poços é indispensável para uma companhia petrolífera manter suas reservas e sustentar a produção no longo prazo.

Nesse movimento, a Margem Equatorial ocupa posição relevante. A estatal avança em campanhas exploratórias no Amapá e no Rio Grande do Norte e considera essas áreas parte da estratégia para identificar novas reservas à medida que campos do pré-sal avancem em seus ciclos de produção.

A busca por novas reservas também ocorre fora do Brasil. A Petrobras tem ampliado sua atuação internacional, com destaque para descobertas de gás na Colômbia e ativos na Costa do Marfim, Namíbia e México. A estratégia busca diversificar o portfólio exploratório e encontrar projetos capazes de sustentar a produção nas próximas décadas.

A expansão das fronteiras de petróleo e gás foi um dos principais temas da ROG.e 2026. O CEO da ExxonMobil Brasil, Alberto Ferrin, destacou o potencial das bacias brasileiras além das áreas já desenvolvidas do pré-sal e citou a experiência da companhia na Guiana, onde novos projetos offshore ampliaram rapidamente a capacidade de produção.

Para as grandes petroleiras, entretanto, a disponibilidade de reservas não é suficiente para garantir a competitividade dos projetos. Aurélie Clave, vice-presidente de Águas Profundas e Ultraprofundas da TotalEnergies, apontou eficiência operacional, controle de custos, redução das emissões e menor intervalo entre a descoberta e o início da produção como fatores decisivos para novos investimentos em águas profundas.

A diversificação geográfica também ganhou importância com o aumento das tensões internacionais. O CEO da SBM Offshore, Øivind Tangen, avaliou que as instabilidades no Oriente Médio e os riscos relacionados ao Estreito de Ormuz aumentam o interesse por projetos localizados na Bacia do Atlântico.

Nesse cenário, áreas como a Margem Equatorial brasileira, além de projetos na Namíbia, Nigéria e Suriname, são vistas pelo setor como possíveis novas fronteiras de produção. O avanço desses projetos, porém, depende de fatores como viabilidade econômica, licenciamento, infraestrutura e condições regulatórias.

A ROG.e também discutiu a produção terrestre, especialmente em campos maduros do Nordeste. Empresas independentes têm ampliado investimentos para prolongar a vida útil desses ativos e evitar seu descomissionamento antecipado.

Segundo dados apresentados no evento, a PetroReconcavo direcionou cerca de R$ 1 bilhão a fornecedores regionais. Operadoras do segmento defendem que a contratação de serviços e trabalhadores locais permite ampliar o impacto econômico da produção de petróleo e gás nos municípios onde os campos estão instalados.

As discussões do evento mostram duas frentes da estratégia do setor no Brasil: encontrar novas reservas capazes de substituir gradualmente a produção de campos maduros e aumentar a eficiência dos ativos já existentes. Para a Petrobras, esse movimento também passa pela avaliação da capacidade nacional de refino diante de um ambiente internacional mais incerto.

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