As empresas estatais federais acumularam déficit primário de R$ 6,5 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, o maior resultado negativo para os oito primeiros meses de um ano desde 2002, segundo dados divulgados pelo Banco Central. No mesmo período de 2025, o déficit havia sido de R$ 5,57 bilhões.
O resultado acumulado contrasta com o desempenho de agosto. No mês, as estatais federais registraram superávit de R$ 1,76 bilhão, primeiro saldo positivo de 2026. Em agosto do ano passado, havia sido registrado déficit de R$ 44 milhões.
Em 12 meses, o déficit primário das empresas federais soma R$ 6,09 bilhões, equivalente a aproximadamente 0,05% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado primário representa a diferença entre receitas e despesas, sem considerar os juros.
A estatística do Banco Central considera as empresas estatais federais não financeiras e não dependentes do Tesouro Nacional e exclui a Petrobras. Por isso, os números não correspondem ao resultado contábil de todo o conjunto de empresas controladas pela União.
Essa diferença é importante para a interpretação dos dados. O Ministério da Gestão argumenta que o resultado primário não deve ser analisado isoladamente como medida da situação financeira das companhias, uma vez que desembolsos para investimentos também podem pressionar o indicador. Para avaliar individualmente uma empresa, lucro ou prejuízo contábil, fluxo de caixa, endividamento e capacidade de financiamento também são relevantes.
O resultado negativo acumulado, porém, amplia a atenção sobre empresas que já enfrentam dificuldades financeiras. Entre elas estão os Correios, que encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e acumulavam perdas de R$ 5,5 bilhões até junho deste ano. A companhia passa por um processo de reestruturação financeira e operacional.
Os números de agosto também mostram uma melhora significativa em relação aos meses anteriores. Até julho, o déficit acumulado das estatais federais estava em aproximadamente R$ 8,3 bilhões. O superávit registrado em agosto reduziu esse saldo negativo para R$ 6,5 bilhões.
Apesar do déficit acumulado, a projeção mais recente do governo para 2026 passou a indicar superávit primário de R$ 2 bilhões para as estatais federais consideradas na meta fiscal. A estimativa consta do relatório do quarto bimestre e representa uma revisão em relação às projeções anteriores de resultado negativo.
A evolução nos próximos meses será determinante para mostrar se a melhora observada em agosto terá continuidade e será suficiente para reverter o déficit acumulado desde o início do ano.










