O Citigroup encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 5,2 bilhões, crescimento de aproximadamente 40% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pela expansão das receitas em serviços corporativos, mercados financeiros e gestão de patrimônio. O desempenho superou as expectativas de Wall Street e reforçou os resultados da reestruturação conduzida pela presidente-executiva Jane Fraser, embora o banco ainda enfrente desafios nas operações de cartões de crédito e na qualidade de sua carteira de empréstimos.
Segundo análise da XP Investimentos divulgada nesta terça-feira (13), o resultado apresentou avanços importantes em eficiência e rentabilidade, com a maior receita registrada pelo Citigroup em um terceiro trimestre nos últimos dez anos. Apesar dos indicadores positivos, a instituição manteve avaliação neutra para o balanço, considerando os riscos associados ao cenário econômico e às operações que ainda apresentam desempenho abaixo do esperado.
A receita líquida do banco alcançou US$ 23,8 bilhões entre julho e setembro, crescimento de 8,2% na comparação anual e ligeiramente acima dos US$ 23,7 bilhões projetados pelo consenso de mercado. O lucro por ação chegou a US$ 2,85, superando as estimativas dos analistas. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, o indicador apresentou avanço de 53,2%, mas o crescimento foi de 27% quando desconsiderado o efeito extraordinário de uma baixa contábil relacionada ao Banamex no ano passado.
Um dos principais indicadores acompanhados pela XP foi o retorno sobre o patrimônio líquido tangível, conhecido pela sigla ROTCE. A rentabilidade alcançou 11,5%, ante 8% no terceiro trimestre de 2025, sinalizando uma melhora na capacidade do banco de gerar resultados a partir de seu capital.
O avanço também levou a administração do Citigroup a indicar que deverá superar a meta de retorno superior a 11% estabelecida para 2026. A instituição mantém como objetivos alcançar rentabilidade entre 11% e 13% no curto prazo e avançar para uma faixa de 14% a 15% no horizonte mais longo.
A melhora da rentabilidade está diretamente relacionada à reorganização das operações e ao controle de despesas. Os gastos operacionais recuaram 2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, totalizando aproximadamente US$ 14 bilhões. Com isso, o índice de eficiência, que mede a proporção das receitas consumida pelas despesas, caiu de 64,7% para 58,5%.
Apesar da redução nominal, a XP observa que as despesas cresceram 3% quando excluído o efeito não recorrente registrado no terceiro trimestre de 2025. O indicador mostra que parte da melhora na comparação anual também está relacionada à base de comparação.
O segmento de serviços corporativos foi um dos principais responsáveis pelo desempenho positivo. A divisão Services registrou receita de US$ 6,6 bilhões, crescimento de 15% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro avançou 27%, alcançando US$ 2,6 bilhões. O resultado foi favorecido pelo aumento dos depósitos e das receitas provenientes de tarifas cobradas pelos serviços prestados a clientes institucionais.
A área de mercados financeiros também apresentou expansão, com receita de US$ 6,1 bilhões, alta de 6% na comparação anual. As operações com ações cresceram 14%, enquanto as atividades relacionadas à renda fixa avançaram 4%. Segundo a XP, o desempenho positivo contrastou com os resultados apresentados por concorrentes como JPMorgan e Wells Fargo em determinadas atividades de mercado.
No banco de investimento, a receita aumentou 6%, para US$ 1,7 bilhão. O destaque foi a atividade de emissão de ações, conhecida como Equity Capital Markets (ECM), cuja receita cresceu 77% em relação ao mesmo período do ano passado. O movimento refletiu a participação do Citigroup em operações relevantes de captação de recursos no mercado de capitais.
A gestão de patrimônio também contribuiu para o crescimento. A divisão Wealth registrou receita de US$ 3,3 bilhões, avanço de 15% na comparação anual, enquanto o lucro aumentou 93%. O resultado evidencia a contribuição dos serviços direcionados à administração de recursos de clientes para a rentabilidade do grupo.
A expansão das operações bancárias foi acompanhada pelo aumento da receita líquida de juros, que cresceu 14% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A carteira de crédito avançou 12%, enquanto os depósitos registraram crescimento de 9%.
Os números indicam uma ampliação da atividade financeira do banco, mas também exigem atenção à evolução dos riscos de crédito, especialmente em um ambiente de juros elevados e maior incerteza econômica nos Estados Unidos.
Entre os pontos negativos identificados pela XP está o desempenho da operação de cartões de crédito no mercado americano. A receita do segmento permaneceu praticamente estável em US$ 4,7 bilhões, enquanto o lucro recuou 8% na comparação anual.
A pressão sobre os resultados foi agravada pela queda de 62% nas receitas de tarifas, associada ao aumento dos pagamentos realizados a parceiros comerciais e aos custos dos programas de recompensas oferecidos aos clientes.
A qualidade do crédito também permanece como um fator de preocupação. As provisões para perdas somaram US$ 2,6 bilhões, crescimento de 6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Desse total, US$ 369 milhões corresponderam ao reforço de reservas relacionado à deterioração das perspectivas macroeconômicas.
No México, as perdas de crédito aumentaram 46% na comparação anual, reforçando os desafios enfrentados pelo grupo em determinadas operações internacionais.
Outro elemento relevante para os próximos resultados é o processo de saída do Banamex, instituição financeira mexicana que integra a reorganização dos negócios do Citigroup.
A XP destaca que o banco ainda deverá reconhecer aproximadamente US$ 9 bilhões em perdas contábeis decorrentes da conversão cambial quando o Banamex for classificado como disponível para venda. O lançamento terá impacto sobre o lucro contábil, mas não deverá afetar o capital regulatório da instituição.
A conclusão desse processo é considerada importante para a estratégia de simplificação das operações e para a aproximação dos indicadores de rentabilidade do Citigroup aos apresentados por outros grandes bancos americanos.
Mesmo com os desafios, o grupo manteve a distribuição de recursos aos acionistas. Durante o terceiro trimestre, foram devolvidos US$ 4,1 bilhões por meio de dividendos e recompras de ações. Desse montante, US$ 3 bilhões corresponderam à aquisição de papéis da própria companhia.
O índice de capital principal de nível 1, conhecido como CET1, encerrou setembro em 12,8%, indicador utilizado para avaliar a capacidade financeira das instituições bancárias de absorver perdas e cumprir exigências regulatórias.
Para a XP, os resultados demonstram que a reestruturação liderada por Jane Fraser continua produzindo avanços, especialmente na eficiência operacional e na rentabilidade dos negócios de serviços, mercados e gestão de patrimônio.
Entretanto, a avaliação neutra reflete a necessidade de acompanhar a recuperação das operações de cartões nos Estados Unidos, a evolução das provisões para perdas de crédito e a conclusão da saída do Banamex.
A instituição considera que esses fatores serão determinantes para que o Citigroup consiga sustentar a melhora recente e aproximar sua rentabilidade da apresentada pelos principais concorrentes do setor financeiro americano.









