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Itaú fecha acordo para comprar 35% da Prisma Capital

Prisma Capital receberá aporte do Itaú, que terá 35% da gestora. Recursos serão destinados à expansão das plataformas de originação de ativos

O mercado brasileiro de investimentos alternativos ganhou uma nova movimentação com a decisão do Itaú Unibanco de entrar no capital da Prisma Capital. A instituição financeira acertou a aquisição de uma participação de 35% na gestora, responsável por aproximadamente R$ 28 bilhões em ativos, em uma operação voltada à expansão de seus negócios em estratégias de crédito estruturado, participações societárias e outras modalidades de financiamento.

Diferentemente de uma compra de ações pertencentes aos atuais sócios, a transação será realizada por meio de um aporte primário. O Itaú adquirirá ações preferenciais emitidas pela Prisma, permitindo que os recursos sejam incorporados diretamente ao caixa da gestora e utilizados no desenvolvimento de suas operações. O valor financeiro do investimento não foi divulgado.

A entrada do banco não modificará a estrutura de decisão sobre os investimentos. A Prisma continuará responsável pela administração de suas carteiras, sem representantes do Itaú no comitê de investimentos ou no conselho de administração. Também não existe, neste momento, previsão de ampliação da participação acionária de 35%.

O formato escolhido reflete a intenção de estabelecer uma parceria de longo prazo, preservando a autonomia da equipe responsável pelas estratégias da gestora. Para o Itaú, o negócio representa uma oportunidade de fortalecer sua atuação em um segmento que reúne investimentos menos tradicionais, muitas vezes estruturados para atender necessidades específicas de empresas e investidores.

A relação entre as duas instituições começou antes da negociação societária. Em 2024, o banco adquiriu a Avita, corretora de seguros-garantia judiciais desenvolvida pela Prisma. A experiência comercial aproximou as equipes e contribuiu para a construção do acordo anunciado agora.

Segundo João Mendes, sócio e um dos fundadores da Prisma, a empresa não havia iniciado uma disputa entre potenciais investidores para vender uma participação. As conversas avançaram diretamente com o Itaú, que recebeu exclusividade informal durante as negociações.

“A gente queria fazer a transação só com eles, foi um processo fluido para se chegar à equação final”, afirmou Mendes.

A expectativa da gestora é que a associação permita combinar sua experiência na estruturação de soluções de capital com a capacidade financeira e o alcance do banco. Mendes considera que as competências das duas instituições são complementares e poderão abrir espaço para novas operações conjuntas.

O principal destino do aporte será o fortalecimento das plataformas próprias de originação de ativos. A Prisma pretende ampliar sua capacidade de identificar oportunidades, estruturar operações e avaliar os riscos dos investimentos antes de incorporá-los às carteiras administradas.

Essa estratégia busca aumentar a participação de ativos originados diretamente pela gestora, em vez de depender predominantemente de oportunidades apresentadas por terceiros. O controle sobre as etapas de estruturação e seleção é considerado essencial para manter a qualidade das operações e buscar maior previsibilidade dos resultados.

“A gente quer que parte relevante dos fundos seja composta por originação controlada pela Prisma, desde a subscrição, a elegibilidade dos ativos, é o que gera retornos previsíveis para os nossos investidores”, explicou Mendes.

Na avaliação de Carlos Constantini, diretor de Gestão de Riqueza e Serviços do Itaú, a experiência da Prisma em ativos alternativos representa um diferencial para o desenvolvimento dos negócios do banco. O executivo destacou que o investimento fortalece a presença da instituição nesse mercado e amplia sua capacidade de aproveitar oportunidades de crescimento no Brasil.

A Prisma foi criada em 2017 por João Mendes, Marcelo Hallack e Lucas Canhoto. Desde então, participou de aproximadamente 120 transações, que somam mais de R$ 14 bilhões investidos. O capital realizado pela gestora supera R$ 13 bilhões.

Sua atuação abrange diferentes estruturas de financiamento e investimento, incluindo crédito estruturado, private equity e ativos imobiliários. A empresa também desenvolve operações envolvendo créditos corporativos inadimplidos, processos de falência e recuperação judicial, financiamento de disputas judiciais e administração de passivos e contingências.

Essas estratégias são voltadas principalmente a situações nas quais empresas precisam de soluções financeiras que não se enquadram nas modalidades convencionais de crédito ou de captação de recursos.

A gestora também está em processo de captação para seu terceiro fundo, iniciado em janeiro, com volume de R$ 1,8 bilhão. Aproximadamente metade desse montante já está comprometida com investimentos, segundo Mendes.

A distribuição dos produtos segue um modelo próprio, sem a contratação de intermediários externos. A carteira de investidores reúne instituições e escritórios especializados em gestão de patrimônio, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Mendes afirma que a Prisma não remunera distribuidores por meio de rebates, pagamentos associados à comercialização de produtos financeiros.

A participação do Itaú ainda não está efetivada. A conclusão da transação depende do cumprimento de condições contratuais e da autorização de órgãos reguladores, entre eles o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Banco Central.

Com a operação, o Itaú busca ampliar sua presença em ativos alternativos sem assumir diretamente as decisões de investimento da Prisma. Para a gestora, a entrada de um sócio financeiro de grande porte oferece capital para expandir a originação de operações e fortalecer sua estrutura de negócios, preservando a independência de gestão.

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