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Ri Happy pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827 milhões em dívidas

Com cerca de 300 lojas e 2,6 mil funcionários, Ri Happy pede recuperação extrajudicial diante dos juros elevados e da concorrência no varejo

A Ri Happy, maior rede especializada em brinquedos do varejo brasileiro, entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas. A solicitação foi apresentada neste domingo (18) ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), apenas 48 dias após a aquisição do grupo pela BluSun Capital Partners.

A medida abrange seis empresas, incluindo as redes Ri Happy e PB Kids, a importadora New Toys e a Divertudo, responsável por atividades de recreação infantil e casas de festa integradas às lojas. O objetivo é reorganizar as obrigações financeiras e adequar os pagamentos à capacidade de geração de caixa do grupo.

Em comunicado, a administração atribuiu a necessidade de reestruturação às dificuldades enfrentadas pelo varejo brasileiro, especialmente os juros elevados, as mudanças nos hábitos de consumo, o aumento da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia.

A situação financeira da companhia já vinha exigindo medidas de ajuste. Em 2023, o grupo contratou uma consultoria para renegociar um passivo bancário de R$ 292 milhões. Segundo a documentação apresentada à Justiça, a recuperação da economia e do mercado consumidor ficou abaixo das expectativas, agravando as dificuldades nos anos seguintes.

A empresa sustenta que o comprometimento financeiro chegou a um nível em que o pagamento das dívidas se tornou incompatível com seu fluxo de caixa, tornando necessária uma renegociação mais ampla com os credores.

Outro fator apontado foi a pressão competitiva exercida pelos marketplaces internacionais. De acordo com os advogados do grupo, a maior presença de brinquedos asiáticos de baixo custo, comercializados por plataformas como Shopee e AliExpress, reduziu a capacidade das redes tradicionais de preservar preços e margens de lucro.

A Ri Happy informou que o plano de recuperação extrajudicial já conta com adesão expressiva dos credores, mas não divulgou o percentual de apoio nem detalhou as condições propostas para o pagamento das dívidas.

Diferentemente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie previamente um plano com seus credores e solicite sua homologação pela Justiça, conforme os requisitos legais. O procedimento busca viabilizar a reestruturação financeira sem necessariamente submeter todas as obrigações da companhia ao processo.

Segundo a administração, o pedido integra um conjunto de medidas voltadas à preservação da liquidez, à revisão da estrutura de capital e ao controle de despesas. A reorganização ocorre no início da gestão da BluSun Capital Partners, que assumiu o controle do grupo menos de dois meses antes da apresentação do pedido.

A companhia assegurou que as operações comerciais não serão interrompidas. As lojas físicas e os canais digitais da Ri Happy e da PB Kids continuam funcionando normalmente, enquanto as equipes se preparam para a Black Friday e o Natal, períodos importantes para as vendas de brinquedos.

Atualmente, o grupo registra receita líquida média anual de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, mantém cerca de 300 lojas próprias e franqueadas em todo o Brasil e emprega aproximadamente 2,6 mil trabalhadores.

As dificuldades financeiras também representam um novo capítulo na trajetória de expansão da companhia. Em 2018, a Ri Happy chegou a solicitar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro de uma oferta pública inicial de ações, mas suspendeu o projeto diante das incertezas políticas, da volatilidade do mercado financeiro e da cautela dos investidores em relação ao varejo.

Agora, a prioridade do grupo é concluir a renegociação do passivo e ajustar sua estrutura financeira às necessidades operacionais. A continuidade do plano dependerá das condições negociadas com os credores e do andamento do pedido de homologação na Justiça paulista.

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