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XP eleva preço-alvo da Caixa Seguridade e mantém compra

Caixa Seguridade deve lucrar R$ 1,16 bilhão no terceiro trimestre, segundo a XP, que prevê avanço dos seguros habitacionais e melhora da rentabilidade

A XP Investimentos revisou suas projeções para a Caixa Seguridade e passou a estimar que as ações da companhia possam alcançar R$ 25 até o fim de 2027, ante o preço-alvo anterior de R$ 20. A elevação de 25% na estimativa foi acompanhada pela manutenção da recomendação de compra, sustentada pela expectativa de crescimento dos resultados, pela rentabilidade elevada e pela perspectiva de recuperação de algumas linhas de negócios com a redução dos juros.

No relatório, os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti calculam um potencial de valorização de aproximadamente 20% em relação ao último fechamento considerado na análise. A instituição avalia que a companhia mantém fundamentos favoráveis, apesar de dificuldades operacionais que devem afetar parte das receitas no terceiro trimestre.

Entre os fatores de pressão estão a greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal em setembro e uma interrupção pontual na concessão de crédito imobiliário no início de julho. Os dois episódios podem ter limitado a comercialização de seguros e outros produtos financeiros distribuídos pela rede bancária.

A avaliação da XP, entretanto, é de que esses efeitos são temporários e não alteram de maneira significativa a capacidade de geração de resultados da Caixa Seguridade. A companhia continua se beneficiando das receitas recorrentes de seguros, especialmente os associados ao financiamento habitacional, e dos baixos níveis de sinistralidade.

Para o terceiro trimestre de 2026, a corretora projeta lucro líquido de R$ 1,161 bilhão, crescimento de 2% tanto em relação ao mesmo período do ano anterior quanto na comparação com o segundo trimestre. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio, conhecido pela sigla ROAE, deve alcançar 38%, indicador que demonstra a elevada rentabilidade esperada para a operação.

O segmento de seguros habitacionais permanece como um dos principais sustentáculos dessa projeção. A XP estima que os prêmios emitidos nessa modalidade atinjam R$ 1,16 bilhão no trimestre, avanço de 14% em 12 meses.

O desempenho é associado ao volume de crédito imobiliário originado pela Caixa Econômica Federal no primeiro semestre, que alcançou o recorde de R$ 137 bilhões. Como a contratação de financiamentos habitacionais está diretamente relacionada à demanda por seguros vinculados a essas operações, a expansão do crédito contribui para sustentar as receitas da seguradora.

A situação é diferente em produtos que dependem mais intensamente de novas vendas realizadas nas agências bancárias. Nesses segmentos, a paralisação dos funcionários e as condições do mercado de crédito devem provocar resultados mais fracos.

No seguro prestamista, modalidade destinada à cobertura de obrigações financeiras em situações previstas no contrato, a XP projeta aproximadamente R$ 230 milhões em prêmios emitidos, uma redução de 40% em relação ao terceiro trimestre de 2025.

As contribuições para produtos de previdência devem somar cerca de R$ 6,5 bilhões, queda de 8% na comparação anual. Já as vendas de consórcios são estimadas em aproximadamente R$ 5 bilhões, abaixo do volume registrado no segundo trimestre.

Apesar da desaceleração comercial em algumas atividades, a XP espera melhora no desempenho técnico das operações de seguros. O índice de sinistralidade, que relaciona as despesas com sinistros aos prêmios, deve ficar próximo de 23%.

Uma sinistralidade mais baixa contribui para preservar as margens da operação, uma vez que reduz a parcela das receitas destinada ao pagamento de indenizações e demais obrigações relacionadas às coberturas contratadas.

A revisão do preço-alvo também reflete mudanças nas estimativas de lucro para os próximos exercícios. A XP elevou suas projeções de resultado líquido para o período de 2026 a 2028 em percentuais que variam de 2% a 6%.

O principal fator por trás dessa atualização é a expectativa de crescimento do resultado de equivalência patrimonial, que representa a parcela dos lucros de empresas investidas reconhecida pela Caixa Seguridade. A instituição passou a considerar perspectivas mais favoráveis para seguros habitacionais e previdência, além de uma contribuição maior do resultado financeiro em 2027.

Nesse último componente, a composição da carteira de investimentos pode beneficiar a companhia em um ambiente de redução da taxa Selic.

Segundo a XP, a Caixa Seguridade possui uma carteira de títulos prefixados com rendimento em torno de 13%. Caso os juros de referência recuem, esses ativos poderão continuar proporcionando remuneração superior ao CDI, favorecendo o resultado financeiro.

A melhora das estimativas de lucro, contudo, não significa que a XP tenha elevado todas as projeções operacionais da companhia. A corretora reduziu entre 5% e 6% suas estimativas de prêmios emitidos para o período de 2026 a 2028.

A revisão considera os efeitos das condições do mercado de crédito e das interrupções nas atividades comerciais sobre produtos como seguro prestamista, seguro de vida e consórcios.

Os analistas identificam, por outro lado, a possibilidade de recuperação mais intensa dessas linhas caso a política monetária se torne menos restritiva.

Um dos cenários considerados envolve a redução da Selic para níveis inferiores a 12%. Nessa situação, a XP avalia que a penetração do seguro prestamista poderia voltar à faixa de 40% a 50%, ante aproximadamente 25% atualmente.

A recuperação estaria associada a condições mais favoráveis para a concessão de crédito e, consequentemente, para a comercialização dos seguros vinculados às operações financeiras.

Em relação ao preço das ações, a XP calcula que a Caixa Seguridade negocia a um múltiplo de 12,1 vezes o lucro projetado para 2027. A instituição também estima um rendimento de dividendos de 7,6% naquele ano, fator que reforça a atratividade dos papéis na avaliação dos analistas.

A combinação entre rentabilidade operacional elevada, distribuição de dividendos e perspectiva de melhora dos resultados financeiros sustenta a recomendação de compra, mesmo diante da expectativa de menor crescimento das vendas em determinadas modalidades.

A concretização do potencial de valorização estimado pela XP dependerá, entretanto, do desempenho efetivo da companhia, da evolução do crédito imobiliário, da recuperação das vendas de produtos financeiros e da trajetória dos juros brasileiros.

O relatório indica que a corretora considera os impactos recentes sobre a atividade comercial insuficientes para comprometer a perspectiva de crescimento dos lucros da Caixa Seguridade no horizonte analisado.

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