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SpaceX dispara 9% após balanço, mas BTG alerta para riscos

SpaceX supera expectativas no terceiro trimestre, ações sobem mais de 9% e BTG aponta riscos apesar de projetar valorização de 52%

A SpaceX (SPCX), companhia aeroespacial controlada por Elon Musk, registrou crescimento de 161% na receita do terceiro trimestre de 2026 e superou as expectativas dos analistas, impulsionando suas ações em mais de 9% no pregão desta quarta-feira (21). Apesar do desempenho, o BTG Pactual identificou dois fatores que podem comprometer as perspectivas de valorização da empresa: a necessidade de investimentos cada vez maiores em inteligência artificial e os desafios para cumprir as projeções de expansão anunciadas pela administração.

O banco mantém recomendação de compra para os papéis da SpaceX, com preço-alvo de US$ 225, equivalente a um potencial de valorização de 52% em relação à cotação considerada na análise. A avaliação positiva está associada principalmente ao crescimento dos negócios de inteligência artificial, embora os analistas ressaltem que a expansão exigirá volumes expressivos de capital e capacidade de execução.

A companhia apresentou receita de US$ 14,58 bilhões entre julho e setembro, acima dos US$ 12,7 bilhões esperados pelo consenso de mercado compilado pela Bloomberg. O resultado representa uma expansão de 161% em comparação com o mesmo período de 2025.

O lucro por ação alcançou US$ 0,35, mais que o dobro dos US$ 0,15 projetados pelos analistas. O Ebitda ajustado, indicador utilizado para avaliar o desempenho operacional das empresas, somou US$ 8,81 bilhões, superando a estimativa de US$ 6,59 bilhões.

A divulgação marcou o segundo balanço trimestral da SpaceX desde sua estreia na bolsa de valores, em junho deste ano. Os resultados reforçaram a recuperação dos papéis após a volatilidade registrada nos primeiros meses de negociação.

Inteligência artificial impulsiona crescimento da SpaceX

O principal destaque operacional, segundo o BTG Pactual, foi a divisão de Super Intelligence (SI), responsável pelas atividades relacionadas à infraestrutura de inteligência artificial.

A expansão desse segmento foi sustentada pelo aumento da capacidade computacional, pela contratação de serviços em nuvem e pela maior utilização de produtos de inteligência artificial, incluindo o Grok.

A companhia informou gastos de US$ 16,44 bilhões com inteligência artificial no trimestre, abaixo dos US$ 16,9 bilhões projetados pelo mercado. A empresa também atribuiu parte da expansão de suas operações a US$ 6,7 bilhões em receitas incrementais anuais.

Durante a apresentação dos resultados, Elon Musk afirmou que os investimentos realizados em inteligência artificial podem produzir retorno em aproximadamente seis meses. A declaração reforçou as expectativas de crescimento acelerado, mas também chamou a atenção para a necessidade de transformar a expansão da infraestrutura em receitas efetivas.

Para o primeiro trimestre de 2027, a SpaceX projetou faturamento entre US$ 33 bilhões e US$ 37 bilhões, significativamente acima dos aproximadamente US$ 22 bilhões esperados pelo consenso dos analistas.

Caso seja alcançada, a projeção representará crescimento expressivo em relação ao resultado trimestral recém-divulgado, demonstrando a dimensão das expectativas da companhia para os próximos meses.

Investimentos bilionários representam risco financeiro

Apesar do desempenho operacional, o BTG Pactual considera o elevado volume de investimentos um dos principais fatores de risco para a SpaceX.

Os desembolsos de capital, conhecidos como capex, alcançaram aproximadamente US$ 19,6 bilhões no terceiro trimestre, valor 51% superior à projeção utilizada pelo banco em sua análise.

A companhia também indicou investimentos entre US$ 35 bilhões e US$ 40 bilhões apenas no quarto trimestre de 2026. O montante evidencia a intensidade de capital necessária para ampliar centros de processamento de dados, infraestrutura energética e capacidade computacional.

Na avaliação do BTG, a aceleração desses gastos aumenta as necessidades de financiamento e amplia os riscos associados à execução dos projetos. Mesmo com crescimento elevado das receitas, a expansão exige recursos substanciais antes que os investimentos produzam integralmente os retornos esperados.

A necessidade de financiamento também torna relevante acompanhar a capacidade da empresa de sustentar o ritmo de expansão sem comprometer sua estrutura financeira.

Projeções de Musk exigem cautela, avalia BTG

O segundo fator de risco destacado pelo banco está relacionado à dimensão das metas apresentadas por Elon Musk para os negócios de inteligência artificial.

O empresário trabalha com perspectivas de receita anual recorrente, conhecida pela sigla ARR, entre US$ 500 bilhões e US$ 1 trilhão. Embora reconheça o potencial de crescimento do setor, o BTG considera necessário adotar cautela diante da magnitude dessas projeções.

Para atingir os objetivos, a SpaceX precisará ampliar significativamente sua infraestrutura tecnológica e superar limitações relacionadas à disponibilidade de energia, sistemas de refrigeração e fabricação de componentes.

Segundo a análise, a companhia terá de elevar sua capacidade computacional para mais de 13 gigawatts (GW) até o final de 2027, uma expansão que envolve desafios operacionais e financeiros de grande escala.

A disponibilidade de energia representa uma das principais restrições para projetos dessa dimensão, uma vez que a operação de centros de processamento de dados exige fornecimento contínuo e infraestrutura adequada para suportar cargas elevadas.

Além disso, a ampliação da capacidade depende de equipamentos especializados e cadeias de fornecimento capazes de acompanhar o ritmo de implantação planejado pela companhia.

O BTG avalia que as tendências operacionais sustentam uma perspectiva favorável para os negócios de inteligência artificial da SpaceX. Entretanto, a distância entre o desempenho atual e as metas de longo prazo torna a execução dos projetos um elemento determinante para a valorização futura das ações.

Dessa forma, a recomendação de compra permanece apoiada nas perspectivas de crescimento da companhia, mas acompanhada de riscos relacionados ao volume de capital necessário, à capacidade de financiamento e ao cumprimento das projeções apresentadas pela administração.

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