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Lucro do Bradesco cresce 14,6%, mas inadimplência avança

Lucro do Bradesco cresce 14,6% e chega a R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, mas inadimplência e provisões avançam

O Bradesco (BBDC4) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 7,109 bilhões, crescimento de 14,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da melhora no resultado, o banco registrou aumento da inadimplência e das despesas destinadas à cobertura de possíveis perdas com empréstimos.

O desempenho ficou próximo das projeções do mercado financeiro. O consenso de analistas consultados pela Bloomberg indicava lucro de R$ 7,145 bilhões para o período. Na comparação com o segundo trimestre, o resultado apresentou avanço de 0,8%.

A rentabilidade medida pelo retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) atingiu 16,1%, superando a estimativa de 15,9%. O indicador cresceu 1,4 ponto percentual em 12 meses, embora tenha apresentado recuo de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

Com os números divulgados nesta quinta-feira (22), o Bradesco completou 11 trimestres consecutivos de melhora desde o início de seu processo de reestruturação. A instituição atribuiu o desempenho à expansão das receitas, à administração das despesas e à gestão dos riscos.

O presidente-executivo do banco, Marcelo Noronha, destacou que a instituição ampliou sua capacidade de capitalização e continua direcionando recursos para investimentos e oportunidades de negócios.

Inadimplência aumenta e pressiona provisões

A expansão das operações de crédito foi acompanhada pelo crescimento dos atrasos nos pagamentos. A carteira ampliada do Bradesco alcançou R$ 1,15 trilhão em setembro, aumento de 11,1% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e de 1,1% na comparação trimestral.

O percentual de operações com atraso superior a 90 dias chegou a 4,6%, avanço de 0,5 ponto percentual em 12 meses. A deterioração ocorreu principalmente entre micro, pequenas e médias empresas, com maior concentração nos financiamentos de capital de giro garantidos por programas do governo federal.

De acordo com o banco, essas operações foram responsáveis por aproximadamente metade do aumento da inadimplência registrado no trimestre. Também houve influência de atrasos sazonais em financiamentos vinculados ao banco John Deere, que atua no segmento do agronegócio.

A instituição identificou ainda maior pressão sobre clientes de menor renda e informou que vem ajustando seus modelos de avaliação de risco, as condições de crédito e a exposição a grupos de consumidores considerados mais vulneráveis à inadimplência.

O agravamento dos atrasos elevou as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), que totalizaram R$ 10,6 bilhões entre julho e setembro. O valor representa crescimento de 24,3% em relação ao mesmo período de 2025 e de 6,6% diante do trimestre anterior.

O custo total do crédito atingiu 3,7%, com elevação de 0,4 ponto percentual na comparação anual e de 0,2 ponto percentual em relação ao segundo trimestre. Segundo o Bradesco, o comportamento desse indicador também foi influenciado pela concentração de vencimentos de operações rurais.

Receitas financeiras sustentam crescimento

A margem financeira, que reúne os resultados obtidos nas operações de crédito e nas atividades de mercado, alcançou R$ 21,372 bilhões no terceiro trimestre. O montante representa crescimento de 14,2% em 12 meses e de 2,4% em relação ao trimestre anterior.

A principal contribuição veio das operações com clientes, cuja margem financeira atingiu R$ 20,5 bilhões, avanço de 10,1%. O banco relacionou esse desempenho ao aumento do volume de empréstimos e financiamentos.

As operações de tesouraria também apresentaram crescimento expressivo. A margem financeira com o mercado somou R$ 875 milhões, ante R$ 99 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025, uma expansão de 783%. Em relação ao segundo trimestre deste ano, o avanço foi de 30%.

Na avaliação da instituição, o resultado da tesouraria reflete a administração dos riscos e o desempenho das operações com produtos financeiros destinados aos clientes.

Os números mostram a continuidade da recuperação dos resultados do Bradesco, sustentada pelo crescimento das receitas e da carteira de crédito. Ao mesmo tempo, a elevação da inadimplência e das provisões permanece como um dos principais desafios para a evolução da rentabilidade da instituição.

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