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J.P. Morgan prevê risco de circuit breaker no Ibovespa

Reeleição de Lula leva J.P. Morgan a reduzir exposição ao real e aos juros brasileiros. Banco projeta dólar a R$ 5,50 em cenário de deterioração fiscal

A perspectiva de continuidade da política econômica brasileira após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou o J.P. Morgan a revisar suas posições no mercado doméstico e antecipar um movimento expressivo de ajuste nos preços dos ativos nesta segunda-feira (26). O banco americano considera elevada a possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na bolsa diante de quedas acentuadas.

A avaliação foi divulgada após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, que contrariou as expectativas consideradas pelos estrategistas da instituição. O banco havia aumentado sua exposição recomendada ao Brasil em 5 de outubro, com a expectativa de uma mudança na condução das políticas públicas.

Na ocasião, a recomendação para o mercado brasileiro havia sido elevada para overweight, classificação utilizada quando se recomenda uma exposição superior à participação do país no índice de referência.

Com a vitória de Lula, entretanto, os analistas passaram a considerar improvável uma alteração significativa na orientação econômica do governo, o que levou à revisão das expectativas para os ativos locais.

“Nossa elevação da recomendação para o Brasil a overweight, em 5 de outubro, tinha como premissa uma mudança na condução das políticas públicas. No entanto, diante do resultado eleitoral, agora parece pouco provável que a política econômica sofra alterações significativas daqui em diante”, afirmaram os estrategistas.

A principal preocupação imediata está relacionada à reação do mercado acionário. O J.P. Morgan considera que a intensidade das vendas poderá provocar uma queda suficiente para acionar os mecanismos de proteção da B3.

Pelas regras da bolsa brasileira, uma desvalorização de 10% do Ibovespa em relação ao fechamento anterior determina a suspensão das negociações por 30 minutos. Caso a queda alcance 15%, ocorre uma nova interrupção, desta vez por uma hora.

Se o recuo chegar a 20%, a B3 poderá determinar a suspensão das operações pelo restante da sessão, conforme as condições de mercado.

O banco avalia que existe uma probabilidade elevada de que pelo menos um desses mecanismos seja acionado durante o primeiro pregão após a eleição. Trata-se, contudo, de uma projeção dos estrategistas, e não de uma interrupção já confirmada.

A revisão das expectativas também atingiu o mercado de câmbio e os títulos de renda fixa. O J.P. Morgan reduziu suas recomendações para o real e os juros brasileiros de overweight para marketweight, classificação que corresponde a uma exposição neutra em relação ao índice de referência.

No câmbio, os estrategistas trabalham com a possibilidade de o dólar alcançar R$ 5,50 em um cenário no qual o resultado eleitoral seja interpretado pelos investidores como desfavorável à consolidação das contas públicas.

Apesar dessa projeção, o banco optou por não recomendar uma posição mais agressiva contra a moeda brasileira neste momento.

A decisão considera o elevado custo de carregamento de posições vendidas em real, que pode reduzir a atratividade financeira da estratégia mesmo diante de uma expectativa de desvalorização cambial.

Por essa razão, a instituição prefere manter exposição neutra enquanto aguarda a estabilização dos preços após a reação inicial dos investidores.

“No câmbio, nossa projeção para o dólar, em um cenário de resultado eleitoral percebido como desfavorável à consolidação fiscal, é de R$ 5,50. No entanto, considerando o elevado custo de carregamento de uma posição vendida em real, preferimos manter uma posição neutra enquanto aguardamos a acomodação da turbulência inicial, para então avaliar os próximos passos”, afirmaram os profissionais do banco.

No mercado de juros, o J.P. Morgan também identifica riscos de uma reprecificação expressiva. A instituição considera uma taxa de 15,5% para o índice GBI-EM como referência em um cenário pessimista.

O indicador acompanha títulos de dívida pública de mercados emergentes e é utilizado como parâmetro por investidores internacionais para avaliar o desempenho desses papéis.

Segundo os estrategistas, o resultado eleitoral poderia justificar uma postura mais defensiva em relação aos juros brasileiros. Ainda assim, a instituição decidiu aguardar os níveis que serão observados no mercado nesta segunda-feira antes de promover novos ajustes em suas posições.

A cautela está relacionada à possibilidade de que grande parte da reação dos investidores ocorra logo na abertura das negociações, produzindo movimentos acentuados nos preços e nas taxas.

O banco compara essa possibilidade ao comportamento registrado após o primeiro turno das eleições, quando a reavaliação das expectativas políticas provocou mudanças expressivas nas cotações dos ativos brasileiros.

Assim, a estratégia adotada pelo J.P. Morgan combina redução da exposição recomendada ao real e aos juros com a decisão de aguardar a reação inicial da bolsa e dos demais mercados antes de definir novos posicionamentos.

A avaliação da instituição indica que as primeiras negociações após a reeleição de Lula serão acompanhadas principalmente pela intensidade da reprecificação dos ativos, pelo comportamento do câmbio e pelas expectativas dos investidores sobre a continuidade da política econômica e a trajetória fiscal do país.

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