A Mastercard executou garantias vinculadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes no BRB e na varejista de móveis Westwing. As ações haviam sido dadas em alienação fiduciária e foram excutidas após o banco digital deixar de cumprir obrigações financeiras com a bandeira, segundo pessoas com conhecimento do caso.
Em comunicados divulgados ao mercado na noite desta terça-feira, a Mastercard afirmou que não tem intenção de exercer direitos políticos nem de permanecer como acionista das companhias. No caso da Westwing, a bandeira assumiu 3.540.768 ações ordinárias, correspondentes a 31,87% do capital social, além do recebimento de R$ 19 milhões em dinheiro. Já no BRB, a Mastercard passou a deter 33.684.706 ações, equivalentes a 6,93% do capital total do banco, sendo 11,75 milhões de ações ordinárias e 21,93 milhões de ações preferenciais, em uma operação avaliada em R$ 237,4 milhões.
Segundo a empresa, a excussão das garantias não tem como objetivo alterar o controle societário nem a estrutura administrativa das companhias envolvidas. A Mastercard informou que as participações serão alienadas oportunamente.
As operações ocorreram após a bandeira suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank em sua rede. Em nota, a Mastercard afirmou que acompanhava há algum tempo o cumprimento das regras operacionais pelo banco digital e que a decisão levou em conta mudanças no atendimento dessas obrigações, além de requisitos regulatórios próprios.
O Will Bank está sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet), decretado pelo Banco Central em novembro, quando foi anunciada a liquidação do Banco Master. Apesar da medida, o BC optou por manter o banco digital em funcionamento, diante do interesse manifestado por potenciais compradores.
Uma eventual venda do Will Bank é vista como um fator relevante para mitigar perdas do FGC, que será responsável pelo pagamento de até R$ 40,6 bilhões em garantias a cerca de 800 mil investidores do conglomerado Master. Sem a alienação do banco digital, o valor a ser absorvido pelo fundo pode aumentar, segundo fontes envolvidas no processo.
As negociações para a venda do Will Bank seguem em andamento, embora em ritmo lento. Entre os interessados que já avaliaram o ativo está a Mubadala Capital. Pessoas próximas às tratativas afirmam que o vínculo do banco digital com o conglomerado Master, investigado por suspeitas de fraude em carteiras de crédito, elevou o nível de escrutínio por parte de potenciais compradores.
Apesar do cenário, o Will Bank segue honrando o pagamento de CDBs que chegam ao vencimento, segundo fontes a par da situação financeira da instituição.










