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Will Bank é liquidado pelo Banco Central

Instituição do grupo Master é retirada do sistema financeiro nacional

A decisão do Banco Central de decretar a liquidação do Will Bank, nesta quarta-feira (21), marca o encerramento de uma estratégia que buscava preservar parte do conglomerado financeiro ligado ao Banco Master após o colapso da instituição controladora. A medida foi adotada depois que o regulador concluiu não haver condições para a recuperação do banco digital nem interessados capazes de absorver sua operação.

O Will Bank havia sido mantido em funcionamento desde novembro, quando o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master, sob o entendimento de que a instituição digital poderia ser alienada e, assim, reduzir perdas sistêmicas. Durante esse período, o banco operou sob Regime de Administração Especial Temporária, mecanismo que preserva as atividades enquanto afasta seus dirigentes e permite a busca de soluções de mercado.

A ausência de propostas concretas para aquisição do Will Bank levou o Banco Central a reavaliar o cenário e optar pela liquidação extrajudicial, procedimento aplicado quando a autarquia considera a situação financeira de uma instituição como irrecuperável. Com o ato, o banco tem suas operações encerradas, é retirado do Sistema Financeiro Nacional e tem os bens de controladores e ex-administradores tornados indisponíveis.

O ambiente de deterioração se agravou após a Mastercard suspender a aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank, diante do não cumprimento de obrigações junto a participantes do arranjo de pagamentos. A Mastercard também executou garantias relacionadas a dívidas do banco digital, passando temporariamente a deter participações relevantes na Westwing e no BRB, ativos que informou não ter intenção de manter em carteira.

Criado em 2017 e incorporado ao grupo Master em 2024, o Will Bank acumulava, ao fim do primeiro semestre, R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, segundo dados oficiais do regulador. A instituição mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não operava com depósitos à vista, como contas correntes.

A possibilidade de venda do banco digital era vista como um fator relevante para mitigar o impacto sobre o FGC, que já enfrenta o maior processo de indenização de sua história após a liquidação do Banco Master. Sem a alienação do Will Bank, técnicos avaliam que as perdas potenciais do fundo podem se elevar, uma vez que os ativos disponíveis para compensação ficam mais restritos.

A liquidação ocorre em meio ao avanço das apurações da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investiga a utilização de estruturas financeiras e fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O caso envolve o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e outros empresários, cujas condutas seguem sob análise das autoridades.

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