
A perspectiva de diversificação global dos investidores, em um contexto de menor atratividade relativa dos Estados Unidos, pode sustentar mais um ano de entradas relevantes de capital estrangeiro nas ações brasileiras em 2026, segundo avaliação de estrategistas do JPMorgan.
Em relatório a clientes, as analistas Emy Shayo, co-head de estratégia para ações em mercados emergentes, e Cinthya Mizuguchi, responsável pela estratégia de ações para a América Latina, afirmam que os mercados emergentes tendem a ser beneficiários diretos desse movimento, diante da busca por diversificação geográfica e de portfólio por investidores globais.
Um dos principais argumentos apresentados no documento é o nível historicamente baixo de alocação de emergentes em fundos globais. Segundo o banco, essa participação está atualmente em torno de 5,3%, abaixo da média dos últimos10 anos, de 6,7%. Uma normalização desse patamar poderia resultar em aproximadamente US$ 25 bilhões em ingressos direcionados ao mercado brasileiro.
O relatório observa que o início de 2026 já sinaliza continuidade do movimento observado no ano anterior. Apenas nas primeiras semanas do ano, o mercado acionário brasileiro registrou entradas líquidas de capital estrangeiro da ordem de R$ 7,3 bilhões. Em 2025, os fluxos externos somaram cerca de R$ 20 bilhões, revertendo de forma significativa as saídas de aproximadamente R$ 32 bilhões registradas em 2024.
Outro vetor citado para a leitura positiva é a expectativa de enfraquecimento do dólar em termos amplos. De acordo com os estrategistas do JPMorgan, o cenário-base do banco prevê uma depreciação da moeda americana em torno de 2% até meados do ano, o que tende a favorecer ativos de mercados emergentes.
No ambiente doméstico, o ciclo de flexibilização da política monetária brasileira aparece como um fator adicional de suporte. Os economistas do JPMorgan projetam cortes acumulados de 3,5 pontos percentuais na taxa Selic, com início em março e reduções sequenciais de 0,50 ponto, levando os juros básicos para cerca de 11,50% ao final de 2026.
Apesar do cenário considerado construtivo, o banco ressalta a existência de riscos relevantes. No plano externo, uma eventual intensificação das tensões geopolíticas ou mudanças adversas na política comercial dos Estados Unidos podem elevar a volatilidade e reduzir o apetite por ativos de maior risco. Internamente, as estrategistas apontam que um ritmo mais lento de queda dos juros ou o aumento do ruído político doméstico podem afetar o fluxo de capitais.
Ainda assim, o JPMorgan avalia que a combinação entre melhora do ambiente macroeconômico, juros mais baixos e um cenário global mais favorável sustenta uma visão positiva para os fluxos direcionados ao Brasil e à América Latina de forma mais ampla, com atenção especial aos desdobramentos políticos ao longo do período.










