A liquidação do Will Bank, decretada pelo Banco Central, introduziu um novo fator de incerteza sobre a situação patrimonial do BRB, em meio às investigações envolvendo operações realizadas com o Banco Master. Documentos obtidos pelo Estadão indicam que parte dos ativos do Will havia sido utilizada para compensar valores relacionados à venda de carteiras de crédito consideradas irregulares ao banco do Distrito Federal.
De acordo com os registros, cerca de R$ 1,75 bilhão em ativos do Will Bank teriam sido transferidos ao BRB como forma de compensação pelos R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito vendidas pelo Master. Com a decretação da liquidação do banco digital, esses contratos passam agora por conferência do liquidante, que deverá verificar se os ativos foram efetivamente transferidos ao BRB ou se devem integrar a massa de ativos destinada ao Fundo Garantidor de Créditos.
A eventual não confirmação da titularidade desses ativos pelo BRB pode ter reflexos diretos sobre seus indicadores prudenciais. Caso os valores não sejam reconhecidos como pertencentes ao banco, será necessária a constituição de provisões ou a baixa contábil correspondente, o que reduziria o patrimônio de referência da instituição. Esse movimento poderia pressionar o índice de Basileia, métrica que relaciona capital próprio ao risco dos ativos mantidos no balanço.
Nesse cenário, aumentaria a probabilidade de necessidade de aporte por parte do Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, para que o banco permaneça em conformidade com as exigências regulatórias. O próprio BRB já havia reconhecido, na semana anterior, a possibilidade de recorrer ao controlador caso se confirmem perdas associadas às operações com o Master.
Os documentos de julho de 2025 indicam ainda que havia R$ 600 milhões em crédito rotativo do Will cedidos ao Master já liquidados, além de aproximadamente R$ 500 milhões em fase de liquidação à época. Esses valores também entram no escopo de verificação do liquidante, em um processo que definirá a destinação final dos ativos e eventuais impactos para credores.
No caso de liquidações bancárias, o FGC assume a responsabilidade de honrar depósitos elegíveis até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Após realizar os pagamentos, o fundo passa a ter direito de ressarcimento por meio dos recursos obtidos com a venda dos ativos da instituição liquidada, o que reforça a importância da definição precisa da titularidade desses ativos.
Paralelamente, o BRB tem buscado alternativas para reforçar seus indicadores de capital. Segundo informações já divulgadas, o banco negocia a venda de uma carteira de crédito de aproximadamente R$ 1 bilhão, composta por empréstimos a Estados e municípios com garantia da União, operação que pode contribuir para melhorar seus índices prudenciais.
Ativos do Will Bank cedidos ao BRB pelo banco Master
| Ativo | em R$ bilhões |
|---|---|
| Pix Parcelado (Will Bank) | 0,08 |
| Crédito Pessoal (Will Bank) | 0,11 |
| Pix Crédito (Will Bank) | 0,31 |
| Parcelamento de Fatura (Will Bank) | 0,15 |
| Rotativo (Will Bank) – já liquidados | 0,60 |
| Rotativo (Will Bank) – em liquidação | 0,50 |
| Total | 1,75 |









