BolsaDestaqueEconomiaFinançasInvestimentosMercadosNotícias

Bolsa brasileira se descola do exterior e atrai fluxo estrangeiro, avalia Empiricus

Mercado brasileiro se destaca entre emergentes em meio a tensões geopolíticas e cenário eleitoral

O noticiário político internacional tem sido um dos principais vetores de volatilidade nos mercados globais nas últimas semanas, influenciando diretamente o apetite por risco dos investidores. Os desdobramentos do conflito envolvendo o Irã concentraram a atenção do mercado após a possibilidade de uma intervenção dos Estados Unidos sob a liderança do presidente Donald Trump, o que elevou a incerteza, pressionou ativos de risco e impulsionou os preços do petróleo a máximas no ano.

Segundo a analista Larissa Quaresma, CFA da Empiricus Research, o alívio observado nos mercados após Trump sinalizar que não haveria intervenção militar foi rapidamente substituído por nova cautela. Declarações posteriores do presidente americano, desta vez relacionadas à retórica sobre a Groenlândia e à menção do uso de poder militar para assegurar o território, voltaram a elevar a percepção de risco global.

Nesse contexto, as bolsas internacionais reagiram majoritariamente de forma negativa, com poucas exceções. Entre elas, destacaram-se os mercados do Brasil e do México, movimento que, segundo a analista, reforça a leitura de que os fundamentos locais seguem atraindo recursos globais e sustentam a tese de maior alocação em mercados emergentes.

No caso brasileiro, o desempenho foi ainda mais expressivo. Mesmo em um ambiente externo adverso, o Ibovespa atingiu nova máxima histórica ao longo da semana, impulsionado principalmente por empresas exportadoras de commodities e pelo peso do fluxo estrangeiro. A dissociação entre o comportamento da bolsa local e o humor global é considerada incomum, mas tem se tornado mais frequente diante da entrada consistente de capital externo.

Larissa Quaresma observa que o interesse dos investidores pela bolsa brasileira ficou evidente mesmo em sessões marcadas por aversão ao risco. Após declarações de Trump em Davos descartando uma ofensiva militar na Groenlândia, o mercado local reagiu positivamente, registrando nova sequência de recordes. Em um dos pregões, o Ibovespa avançou 3,33% e superou a marca de 171 mil pontos, acumulando alta de 6,64% no ano e figurando entre os melhores desempenhos globais.

O cenário político doméstico também contribuiu para a valorização dos ativos brasileiros. Uma pesquisa divulgada pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg mostrou avanço da oposição nas intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais, reduzindo a diferença em relação ao atual presidente. Segundo a analista, embora o período até a eleição deva trazer episódios de maior volatilidade, o mercado tende a reagir de forma mais favorável à possibilidade de mudanças no equilíbrio político, especialmente diante das preocupações fiscais.

Na avaliação da Empiricus Research, os principais pilares que sustentam uma visão construtiva para os ativos de risco brasileiros permanecem em consolidação. A perspectiva de queda dos juros ganha força com o arrefecimento da inflação doméstica e a expectativa de novos cortes nos Estados Unidos. O fluxo para mercados emergentes segue positivo, enquanto a alocação global nesses ativos ainda representa uma parcela reduzida dos portfólios internacionais.

Além disso, o valuation da bolsa brasileira permanece abaixo da média histórica, com múltiplo preço/lucro projetado em torno de 11 vezes, frente a uma média de 14 vezes em ciclos de afrouxamento monetário. A baixa exposição do investidor local à renda variável também é apontada como um fator que pode favorecer maior entrada de recursos, especialmente em um ambiente de juros mais baixos.

Em conjunto, esse cenário tem permitido que o mercado brasileiro apresente desempenho positivo mesmo em momentos de maior aversão ao risco, reforçando, segundo Larissa Quaresma, uma leitura construtiva para a bolsa brasileira no curto e médio prazos.

Postagens relacionadas

1 of 572