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BRB prepara recuperação de ativos após perdas com carteiras do Banco Master

Banco de Brasília analisa arresto de ações e provisão bilionária após operações com o Master

O Banco de Brasília (BRB) iniciou uma nova etapa de apuração interna e de mitigação de riscos após identificar potenciais prejuízos associados à aquisição de carteiras de crédito consignado que posteriormente foram consideradas fraudulentas e tinham origem no Banco Master. A instituição avalia a contratação, nos próximos dias, de uma empresa especializada em recuperação de ativos, com o objetivo de reduzir perdas financeiras decorrentes dessas operações.

Paralelamente, o BRB aguarda a entrega de um relatório preliminar elaborado pelo escritório Machado Meyer Advogados e pela Kroll Brasil, responsáveis por uma investigação independente sobre os negócios firmados com o Banco Master. O trabalho, classificado como auditoria forense, envolve a análise detalhada de transações financeiras, a quantificação de eventuais danos e a identificação de responsabilidades.

Segundo pessoas com conhecimento direto do processo, os investigadores já identificaram indícios relevantes de sobreposição entre fundos de investimento ligados ao conglomerado do BRB e estruturas financeiras associadas a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A apuração abrange fundos que, em determinados momentos, passaram a deter participação societária relevante no banco do Distrito Federal.

De acordo com informações divulgadas anteriormente, o BRB possui participação em ao menos oito fundos de investimento que figuram nas investigações relacionadas ao Banco Master. Entre eles estão Cartago, CMX Realty III, Jeitto, Kyra, Strelitzia, Supreme Realty, Tessalia e Texas I, todos listados pelo Banco Central** como integrantes do conglomerado do BRB. A presença desses fundos nas duas estruturas ampliou o escopo da apuração conduzida pelas empresas contratadas.

Parte desses fundos foi transferida ao BRB como forma de compensação parcial pelas perdas associadas à aquisição de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas sem lastro adequado. Mesmo após a devolução, o banco ainda apura diferenças patrimoniais relevantes, o que motivou a ampliação das medidas de investigação e recuperação.

Além disso, o BRB avalia a adoção de medidas judiciais preventivas, incluindo a possibilidade de arresto de ações da própria instituição que estejam em posse de fundos ligados ao grupo de Vorcaro. Entre os veículos analisados estão fundos como Borneo, administrado pela gestora Reag, e Deneb, administrado pela Master Corretora, que adquiriram participação acionária no banco. Segundo integrantes da instituição, há instrumentos jurídicos que permitem a transferência dessas ações para a tesouraria do BRB como forma de garantir eventual recomposição de prejuízos.

No processo de devolução das carteiras problemáticas, o BRB recebeu cerca de R$ 10 bilhões em ativos do Banco Master, que seguem sob auditoria. Ainda resta uma diferença estimada em R$ 2,6 bilhões, valor para o qual o Banco Central determinou a constituição de provisão contábil, como forma de reconhecer o risco de perda no balanço da instituição.

A auditoria forense em curso foi contratada após a posse do novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, que assumiu o comando da instituição após o afastamento de Paulo Henrique Costa. A mudança ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado. Durante a gestão anterior, o BRB chegou a apresentar uma proposta para aquisição do Master, que acabou rejeitada pelo regulador.

Os auditores também analisam decisões tomadas durante a gestão de Paulo Henrique Costa e a relação mantida com o então presidente do conselho de administração do BRB, Marcelo Talarico. Interlocutores relatam que Costa sustenta que as carteiras adquiridas ainda podem gerar resultados positivos ao banco e que a provisão exigida pelo Banco Central decorre de prudência regulatória, não representando, necessariamente, perda definitiva.

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