O custo de financiamento soberano da Argentina atingiu nesta terça-feira um patamar que não era observado havia quase oito anos. O indicador de risco-país recuou para abaixo de 500 pontos-base, movimento que amplia as discussões no mercado sobre a possibilidade de o governo voltar a acessar o mercado internacional de crédito em condições mais favoráveis.
Por volta das 14h, no horário de Brasília, o risco-país argentino era negociado em torno de 499 pontos-base, abaixo dos 510 pontos registrados no pregão anterior. O recuo representou a superação de um nível de resistência que vinha se mantendo acima de 550 pontos-base em sessões anteriores, abrindo espaço para uma trajetória de queda adicional, segundo analistas.
Entre os fatores que sustentaram o movimento estão as compras recorrentes de dólares realizadas pelo Banco Central da República Argentina**, a valorização dos títulos soberanos e a leitura de maior estabilidade política sob o governo do presidente Javier Milei. A combinação desses elementos contribuiu para a melhora do humor dos investidores em relação aos ativos argentinos.
Na avaliação de Juan Manuel Franco, economista-chefe do Grupo SBS**, o nível atual do risco-país leva o mercado a discutir o momento adequado para uma eventual volta da Argentina às emissões internacionais. Segundo ele, mesmo com os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos em patamar mais elevado do que na última emissão externa argentina, realizada em 2018, operações recentes de outros países da região reforçam essa possibilidade.
Franco destacou que o Equador** conseguiu acessar recentemente o mercado internacional, apesar de enfrentar riscos relevantes, com taxas entre 8,75% e 9,25% em emissões de longo prazo. Para o economista, esses parâmetros ajudam a balizar as expectativas sobre as condições que a Argentina poderia encontrar, caso decida testar novamente o mercado externo.
Operadores concordam que a evolução das reservas internacionais será determinante para reduzir o custo de uma eventual captação. Em janeiro, o banco central argentino acumulou compras de aproximadamente US$ 1,019 bilhão no mercado de câmbio. Após a aquisição de US$ 39 milhões na sessão anterior, as reservas internacionais alcançaram US$ 45,740 bilhões, conforme dados oficiais preliminares.
O ambiente favorável também é associado à emissão de debêntures corporativas, às taxas elevadas em pesos e à retração da demanda privada por dólares. Em relatório, a corretora Cohen ressaltou que a manutenção do risco-país próximo da faixa de 500 pontos-base é considerada um elemento central para a consolidação desse cenário e para a reabertura do canal de financiamento externo em condições mais previsíveis.









