
A Justiça de São Paulo determinou a penhora de bens no valor de R$ 2,4 milhões da Alliance Participações, empresa que tem como sócios Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A medida se refere ao saldo remanescente de uma dívida vinculada à aquisição do grupo que deu origem à Kovr Seguradora.
O litígio tem origem em uma operação iniciada em 2017 e tramita desde 2022 na 7ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo os autos, a Alliance adquiriu participação acionária na Segpar Participações, então controlada pelo fundo Hermes Capital Semente e pela NPF Participações, assumindo o compromisso de pagar R$ 5 milhões. Com a transação, a Alliance passou a deter 77% da Segpar, enquanto os 23% restantes permaneceram com o fundo Hermes.
O principal ativo da Segpar era o Grupo InvestPrev, que atuava nos segmentos de seguros, capitalização e previdência. Esse conjunto de negócios, posteriormente, deu origem à Kovr Seguradora, que foi vendida pouco antes da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro do ano passado.
Após a assinatura do contrato de compra e venda, o fundo Hermes deixou a sociedade, sendo sucedido pela NPF Participações. Conforme o processo, nessa etapa houve alteração contratual, com Daniel Vorcaro ingressando como garantidor da operação, que ainda não havia sido integralmente quitada. Em 2020, a NPF Participações entrou em liquidação voluntária, e o acionista Luiz Eduardo Franco de Abreu passou a figurar como seu sucessor, assumindo a posição de credor da Alliance.
Franco de Abreu, que foi CEO do Banco de Brasília na década de 1990 e, posteriormente, do braço de investimentos do Banco do Brasil, ingressou com a ação em 2022 para cobrar o valor então calculado em R$ 7,1 milhões. No curso do processo, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 5 milhões de Daniel Vorcaro, em razão da garantia prestada na aquisição.
Para assegurar o pagamento do valor remanescente, atualmente estimado em R$ 2,4 milhões e referente a correção monetária e multa, o Judiciário ordenou, em novembro de 2025, a penhora de bens da Alliance nesse montante. A disputa judicial permanece em andamento.
Em paralelo, a Alliance Participações é citada em apurações jornalísticas e investigações administrativas relacionadas a investimentos em projetos de créditos de carbono. Reportagens indicaram que a empresa teria sido utilizada em estruturas financeiras ligadas a fundos administrados pela Reag, envolvendo a reavaliação patrimonial de participações societárias associadas à geração de créditos de carbono em áreas públicas federais na Amazônia. Esses ativos foram posteriormente reavaliados por órgãos competentes, diante de questionamentos sobre lastro, titularidade das terras e conformidade regulatória.









