A poucos dias da estreia de suas ações na Nasdaq, em Nova York, a fintech PicPay registrou uma procura significativamente superior à quantidade de papéis ofertados ao mercado. Segundo fontes com conhecimento da operação, os pedidos de investidores já alcançavam aproximadamente seis vezes o volume inicialmente previsto, o que corresponde a cerca de US$ 3 bilhões em intenções de compra, considerando a oferta base de US$ 500 milhões.
Diante desse cenário, participantes do mercado financeiro no Brasil e nos Estados Unidos avaliam que o preço por ação tende a ser fixado mais próximo do limite superior da faixa indicativa, estabelecida entre US$ 16 e US$ 19. A definição do valor final está prevista para esta quarta-feira, 28, após o encerramento do pregão em Nova York. A demanda, segundo as fontes, tem sido liderada por fundos com estratégia de longo prazo e investidores especializados nos setores de tecnologia e serviços financeiros digitais.
A expectativa é que a oferta pública inicial da PicPay movimente cerca de US$ 500 milhões, configurando a primeira abertura de capital de uma empresa brasileira nos Estados Unidos desde a listagem do Nubank, em dezembro de 2021. Caso as ações sejam precificadas no teto da faixa, a fintech poderá estrear na bolsa americana com valor de mercado estimado em US$ 2,6 bilhões.
A operação conta com um investidor âncora. Marcelo Claure, fundador da gestora Bycicle e ex-executivo do SoftBank, comprometeu-se a adquirir aproximadamente US$ 75 milhões em ações da companhia. O prospecto prevê a venda de 26,3 milhões de papéis, equivalentes a cerca de 21% do capital da empresa, mantendo a J&F Participações como acionista controladora.
No documento apresentado aos investidores, a PicPay reconhece a existência de riscos reputacionais associados a investigações criminais e cíveis envolvendo os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores indiretos da fintech. A empresa afirma cumprir as obrigações judiciais vigentes, mas admite que novos processos ou acusações podem afetar de forma relevante sua estratégia, a realização de operações futuras e o desempenho de suas ações no mercado.
Além do PicPay, outras instituições financeiras brasileiras avaliam acessar o mercado acionário norte-americano. Entre elas está o Agibank, que também prepara uma possível listagem em Nova York. O movimento ocorre em um contexto de maior otimismo no mercado de capitais dos Estados Unidos, com expectativa de retomada das ofertas públicas iniciais.
Banqueiros de Wall Street projetam um ambiente mais favorável para IPOs em 2026, com potencial listagem de grandes empresas globais do setor de tecnologia, incluindo companhias de inteligência artificial e do segmento aeroespacial. A operação do PicPay tem como coordenadores líderes o Citi e o Bank of America. Procurada, a empresa informou que não comentaria o assunto.









