A avaliação técnica do Banco Central sobre os impactos financeiros do caso Banco Master indica que as perdas potenciais do Banco de Brasília podem ser significativamente superiores ao inicialmente estimado. Em depoimento prestado à Polícia Federal no fim de dezembro, o diretor de Fiscalização da autoridade monetária, Ailton de Aquino, afirmou que a provisão necessária para cobrir os prejuízos do BRB pode se aproximar de R$ 5 bilhões.
Segundo o relato, o Banco Central do Brasil já havia identificado a necessidade imediata de uma provisão de R$ 2,6 bilhões relacionada à aquisição de carteiras de crédito sem lastro. No entanto, a análise posterior dos ativos transferidos pelo Banco Master ao Banco de Brasília levou a uma reavaliação do risco, diante da baixa qualidade dos papéis utilizados como compensação.
De acordo com Aquino, os ativos entregues pelo Master não seriam suficientes para cobrir integralmente o valor envolvido na operação, o que exigiria uma provisão adicional superior a R$ 2 bilhões. A determinação inicial para o reconhecimento contábil da perda consta em comunicação formal encaminhada pelo Banco Central ao BRB no início de janeiro.
A investigação conduzida pela Polícia Federal concentra-se na negociação de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas irregulares. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no contexto das apurações que envolvem o colapso do Banco Master.
No depoimento, o diretor de Fiscalização afirmou que a aplicação adequada de práticas de auditoria e governança teria permitido identificar previamente a inexistência de parte relevante dos créditos. Ele relatou que o Banco Central enviou sucessivos ofícios ao BRB questionando a consistência das operações, o que, na avaliação do regulador, evidencia falhas no processo de diligência da instituição compradora.
Aquino também declarou não ter conhecimento de interferência política ou pressão de autoridades públicas sobre a decisão de liquidar ou não o Banco Master. A liquidação extrajudicial foi decretada pelo Banco Central em novembro, no mesmo período em que o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso no âmbito da investigação policial.
Outro ponto destacado no depoimento foi a incapacidade do Master de cumprir regularmente as exigências de depósitos compulsórios, mecanismo utilizado pelo Banco Central para assegurar liquidez ao sistema financeiro. Segundo o diretor, o descumprimento dessas obrigações contrastava com o volume de créditos que o banco declarava possuir e oferecia ao BRB durante as negociações, o que acendeu alertas no processo de supervisão.
Além disso, a fiscalização identificou inconsistências contábeis relevantes no balanço do Master, estimadas em R$ 5,5 bilhões. Essas distorções teriam origem na compra, pelo próprio banco, de ativos no valor de R$ 6,7 bilhões antes da posterior venda das carteiras ao BRB. Conforme relatado, a diferença entre o valor pago pelo banco estatal e o custo de aquisição dos ativos não foi reconhecida corretamente como receita, em desacordo com as normas contábeis aplicáveis.









