A divulgação do balanço do Banco de Brasília, prevista para 31 de março, tornou-se o marco para a definição das próximas ações do Banco Central do Brasil em relação à instituição. Caso não haja recomposição patrimonial até essa data, a autoridade monetária poderá aplicar medidas prudenciais previstas na Resolução 4019, de 2011, que impõe restrições operacionais a instituições financeiras com indicadores fragilizados.
Entre as limitações possíveis estão impedimentos à abertura de novas agências, restrições à expansão de negócios, limites a determinadas operações de crédito, vedação ao pagamento de dividendos e obstáculos à concessão de benefícios a administradores. A medida é considerada etapa anterior a intervenções mais severas, como intervenção ou liquidação, em cenários extremos.
A necessidade de capital adicional decorre das operações realizadas com o Banco Master, que envolveram a aquisição de R$ 12,2 bilhões em créditos posteriormente classificados como problemáticos. Investigações conduzidas pelo Banco Central e pela Polícia Federal apontaram irregularidades nesses ativos. O valor exato do impacto no patrimônio do BRB ainda não foi oficialmente fechado, mas estimativas indicam cifra superior a R$ 5 bilhões, podendo alcançar R$ 9 bilhões, segundo relatos de pessoas próximas às apurações.
Para enfrentar o desequilíbrio, o Governo do Distrito Federal, controlador do banco, analisa alternativas como venda de imóveis, criação de fundo imobiliário lastreado nesses ativos e busca de empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos e a instituições privadas, com garantias imobiliárias. As propostas foram apresentadas ao Banco Central e dependem de autorização da Câmara Legislativa do DF.
Paralelamente, o BRB intensificou a venda de carteiras de crédito para reforçar a liquidez, incluindo operações de consignado e antecipação de saque-FGTS. Contudo, a alienação de ativos não eleva o capital do banco, apenas converte ativos em caixa, podendo gerar perdas adicionais caso ocorram com deságio. A recomposição efetiva dos índices prudenciais, como o de Basileia, depende de recursos novos aportados pelo controlador.
No Banco Central, o entendimento é de que o prazo de 31 de março será determinante. A avaliação interna indica acompanhamento próximo da situação, ao mesmo tempo em que há sinalizações positivas sobre a atual gestão do banco após a troca de comando. A estratégia do BRB envolve apresentar, na data de divulgação do balanço, um plano que combine aporte de capital, reforço de liquidez e medidas voltadas à recuperação da confiança do mercado.










