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Governo prevê alta bilionária na Previdência e novo congelamento de despesas

Previdência deve consumir R$ 1,077 trilhão em 2026 após aumento de benefícios e decisão do STF sobre maternidade

O governo federal deverá elevar em R$ 11,5 bilhões a previsão de despesas com benefícios previdenciários em 2026, movimento que tende a ampliar o bloqueio de gastos do Orçamento nos próximos meses.

Os números finais ainda estão em discussão dentro da equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e devem ser oficializados até sexta-feira no novo relatório bimestral de avaliação fiscal.

A revisão ocorre em meio ao avanço das ações para reduzir a fila do Instituto Nacional do Seguro Social, tema considerado prioritário pelo Palácio do Planalto em ano pré-eleitoral.

Segundo documentos preliminares, a projeção de despesas previdenciárias passará de R$ 1,066 trilhão para R$ 1,077 trilhão em 2026.

O aumento reflete principalmente a aceleração na concessão de benefícios após a redução da fila do INSS, que chegou a 3,1 milhões de requerimentos no início do ano e caiu para 2,6 milhões ao fim de abril.

A diminuição do estoque de pedidos foi tratada pelo governo como prioridade política diante das críticas da oposição e do impacto do tema sobre a imagem da gestão federal.

Os números mostram aceleração relevante nos pagamentos previdenciários ao longo dos últimos meses.

Em março, a folha mensal de benefícios subiu R$ 1,9 bilhão frente a fevereiro, alcançando R$ 81,8 bilhões.

Já em abril, houve nova alta de aproximadamente R$ 800 milhões, levando os pagamentos para R$ 82,6 bilhões.

A equipe econômica projeta agora crescimento vegetativo mensal da folha entre R$ 275 milhões e R$ 282 milhões ao longo do restante do ano.

Outro fator que pressiona as despesas é a ampliação das concessões de salário-maternidade após decisão do Supremo Tribunal Federal que flexibilizou regras do benefício.

Segundo estimativas técnicas, apenas essa mudança poderá gerar impacto adicional próximo de R$ 5 bilhões em 2026.

Dados internos apontam que a concessão de salário-maternidade praticamente dobrou em um ano, passando de 48,9 mil benefícios em janeiro de 2025 para 94,7 mil em dezembro do mesmo ano.

O aumento das despesas obrigatórias deve exigir novo bloqueio de recursos no Orçamento para cumprimento das regras do arcabouço fiscal.

Pelo modelo aprovado durante a gestão do ministro da Fazenda Fernando Haddad, a expansão de gastos obrigatórios precisa ser compensada por contenção de despesas discricionárias, como investimentos, custeio administrativo e emendas parlamentares.

O tamanho final do bloqueio ainda dependerá do comportamento de outras despesas públicas e das receitas previstas pelo governo.

Nos bastidores, integrantes da equipe econômica afirmam que parte do impacto poderá ser absorvida pelo chamado “faseamento” de despesas, mecanismo utilizado para desacelerar temporariamente a execução orçamentária dos ministérios.

No último relatório fiscal, esse colchão de contenção adicional estava estimado em cerca de R$ 40 bilhões.

O tema ganhou relevância no mercado financeiro após o primeiro relatório do ano indicar bloqueio de apenas R$ 1,6 bilhão, abaixo das expectativas de analistas e investidores.

Na ocasião, técnicos do governo discutiram internamente um congelamento mais elevado, próximo de R$ 4 bilhões, mas optaram por postergar parte do ajuste enquanto avaliavam os custos da aceleração das concessões previdenciárias.

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