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Grupo Mateus corta mais de 6 mil vagas e busca equilíbrio entre margem e custos

Despesas operacionais do Grupo Mateus sobem 29,3% após aquisição do Novo Atacarejo e abertura de 17 lojas

O Grupo Mateus informou que vem intensificando medidas de ajuste operacional e revisão de despesas em busca de um equilíbrio entre rentabilidade, custos e crescimento das vendas em seus diferentes canais de atuação. O tema foi detalhado pela administração da companhia durante teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026.

Entre os movimentos adotados pela varejista está a redução do quadro de funcionários. Dados apresentados pela companhia indicam queda de 13,9% no número de empregados na comparação entre o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.

Segundo cálculos com base nos números divulgados ao mercado, o grupo encerrou março com cerca de 41,2 mil funcionários nas operações localizadas no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia. No fim de 2025, a companhia possuía aproximadamente 47,9 mil empregados, o que representa redução de 6.673 postos no período.

O presidente do conselho de administração do Grupo Mateus, Ilson Mateus Rodrigues, afirmou que a companhia busca um “ponto ótimo” entre despesas operacionais e manutenção da eficiência das operações.

Segundo o executivo, cortes excessivos podem comprometer a operação, enquanto reduções insuficientes mantêm o nível de despesas elevado. A administração também destacou que os ajustes não se concentram apenas em pessoal e incluem outras frentes de racionalização operacional.

A companhia informou que projetos de produtividade implementados nos últimos meses contribuíram para reduzir em 0,9 ponto percentual a participação das despesas operacionais sobre a receita líquida em março deste ano.

As despesas operacionais totais somaram R$ 1,6 bilhão entre janeiro e março, alta de 29,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Parte relevante desse crescimento veio da incorporação do Novo Atacarejo, adquirido em 2025 e consolidado nas demonstrações financeiras a partir da conclusão da combinação de negócios em julho do ano passado.

Segundo a companhia, a consolidação do Novo Atacarejo adicionou R$ 235,4 milhões às despesas operacionais do trimestre. Desconsiderando esse efeito, as despesas cresceram 10,8%, influenciadas principalmente pela abertura de 17 lojas nos estados em que o grupo atua.

O vice-presidente financeiro, Tulio José Pitol de Queiroz, afirmou que a desaceleração das vendas desde o ano passado levou a empresa a ampliar os esforços de controle de despesas e revisão operacional.

Segundo o executivo, a companhia também busca redefinir o equilíbrio entre margem e volume de vendas em cada canal de operação, diante de um ambiente de consumo mais pressionado e menor capacidade de repasse de preços.

A administração afirmou ainda que acompanha os efeitos da redução nas verbas comerciais pagas pela indústria e o impacto da deflação observada em algumas commodities alimentícias, como arroz, óleo e café, sobre o desempenho das vendas em mesmas lojas.

Ilson Mateus Rodrigues também destacou que a companhia vem ampliando esforços para otimizar a estrutura logística da operação, considerada estratégica para a eficiência do grupo em um cenário de expansão regional e controle de custos.

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