A Andrade Gutierrez protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 3,4 bilhões em dívidas financeiras.
O processo foi apresentado nesta terça-feira na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte e será analisado pela juíza Claudia Helena Batista.
No pedido encaminhado à Justiça, a construtora afirma que a deterioração financeira ocorreu após paralisações e adiamentos de projetos relevantes, além da elevação dos juros no Brasil e da valorização do dólar.
Segundo a empresa, cerca de 47% das obras da companhia foram interrompidas ou tiveram cronogramas alterados nos últimos anos, reduzindo geração de caixa e pressionando a capacidade de pagamento do grupo.
Entre os projetos citados está a construção de uma rodovia em Gana, que representava aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos, equivalente a cerca de 15% da carteira da empresa.
A companhia afirmou que a obra foi interrompida após inadimplência do governo ganês sobre títulos da dívida interna, situação que teria afetado o financiamento internacional do projeto.
Outro empreendimento apontado como relevante para a deterioração financeira foi uma usina hidrelétrica na República Dominicana, avaliada em cerca de R$ 3,2 bilhões e correspondente a aproximadamente 32% da carteira da construtora.
Segundo a Andrade Gutierrez, o projeto foi adiado por decisão do governo local.
Este é o segundo pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela empresa em pouco mais de três anos. O processo anterior foi homologado pela Justiça em 2022 e envolveu renegociação de cerca de R$ 2,4 bilhões em passivos financeiros.
Na ocasião, a companhia também vendeu parte da participação que possuía na CCR, utilizando aproximadamente R$ 4,1 bilhões para pagamento de dívidas locais e internacionais.
Agora, a construtora afirma que novas adversidades econômicas e operacionais comprometeram novamente sua liquidez.
O plano apresentado prevê duas estruturas separadas de reestruturação financeira envolvendo empresas do grupo no Brasil e no exterior.
Uma das alternativas incluídas na proposta prevê alongamento dos vencimentos das dívidas até 2070.
A companhia também solicitou à Justiça suspensão de cobranças e execuções em andamento, incluindo ações que envolvem penhora de direitos creditórios ligados a contratos firmados com a Sabesp.
Entre os projetos mencionados está a modernização e ampliação da estação de tratamento de esgoto de Barueri, vinculada ao programa de despoluição do Rio Tietê.
A empresa ainda pediu dispensa da exigência de certidão negativa de recuperação extrajudicial para continuar participando de licitações públicas e manter contratos já existentes.
Segundo o processo, a construtora pretende disputar novos projetos de infraestrutura, incluindo a concorrência do Metrô do Distrito Federal prevista para junho.
Especialistas ouvidos pelo mercado apontam que a recuperação extrajudicial permite renegociação mais rápida com credores, mas alertam para desafios jurídicos relacionados à inclusão de diversas empresas em um único processo.
O caso ocorre em meio ao aumento de reestruturações financeiras no setor de infraestrutura e construção pesada, segmento afetado por juros elevados, restrição de crédito, desaceleração econômica e impactos acumulados da Operação Lava Jato nos últimos anos.









