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Lula defende rigor fiscal para reduzir juros, mas volta a pedir mais gastos e emissão de dívida

Fala combina compromisso com equilíbrio fiscal e defesa de maior endividamento, gerando dúvidas sobre a estratégia para estabilizar as contas públicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (5) que o governo precisa manter “bastante seriedade fiscal” para criar condições para a redução da taxa Selic, mas, na mesma entrevista, voltou a defender a ampliação dos investimentos públicos por meio da emissão de dívida e criticou regras fiscais que, segundo ele, limitam a atuação do Estado.

Horas antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), Lula reconheceu a autonomia do Banco Central e disse que o governo deve evitar gastar além de sua capacidade financeira para favorecer a queda dos juros. “Nós temos que cuidar para que, do ponto de vista econômico, a gente tenha bastante seriedade fiscal para não gastar aquilo que a gente não tem e, ao mesmo tempo, trabalhar para reduzir a taxa de juros”, afirmou.

Na sequência, porém, o presidente sustentou que o Estado deve recorrer ao endividamento para financiar obras de infraestrutura, argumentando que esse tipo de despesa representa investimento, e não gasto. Lula também criticou o que classificou como um “aprisionamento” do Estado pelo mercado financeiro e afirmou que o pagamento de juros da dívida pública é o principal gasto do governo.

Para o mercado financeiro, as duas sinalizações caminham em direções distintas. Enquanto o compromisso com o equilíbrio fiscal tende a reforçar a confiança dos investidores e abrir espaço para juros menores, a defesa de maior endividamento e de flexibilização das regras fiscais pode elevar as preocupações com a trajetória da dívida pública, fator que influencia diretamente as expectativas para a inflação e a política monetária.

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