O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2026 com o maior lucro de sua história, consolidando a recuperação dos resultados após o processo de reestruturação iniciado sob a gestão do presidente Marcelo Noronha. O banco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões entre abril e junho, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,5% frente ao trimestre anterior, desempenho que superou as estimativas do mercado.
O resultado também refletiu melhora na rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) avançou para 16,2%, acima dos 15,8% registrados no primeiro trimestre e dos 14,6% observados um ano antes. Apesar da evolução, o indicador ainda permanece abaixo dos 18,1% registrados em 2022, antes da deterioração dos resultados provocada pelo aumento das perdas com crédito.
Segundo Marcelo Noronha, o banco mantém ritmo consistente de crescimento mesmo adotando uma postura mais conservadora na concessão de crédito. “Mantivemos boa tração comercial, apesar do apetite ao risco moderado. Várias iniciativas da transformação do banco já estão sendo incorporadas ao nosso dia a dia, aumentando nossa competitividade. O bom desempenho das nossas receitas é prova disso”, afirmou o executivo.
A margem financeira bruta alcançou R$ 20,87 bilhões no trimestre, crescimento de 15,7% em relação ao segundo trimestre de 2025. Ao mesmo tempo, as despesas com provisões para perdas em operações de crédito (PDD) somaram R$ 9,98 bilhões, aumento de 22,6% em 12 meses, refletindo uma postura prudente diante do ambiente econômico.
A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,137 trilhão ao final de junho, com crescimento de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A expansão do crédito continua sendo um dos principais motores da geração de receitas do banco, embora acompanhada por uma política de risco considerada mais seletiva.
Os indicadores de inadimplência apresentaram leve deterioração. A taxa acima de 90 dias subiu para 4,3%, frente aos 4,2% registrados em março. Entre pessoas físicas, o índice passou de 5,4% para 5,5%, movimento atribuído pelo banco ao ambiente macroeconômico. Já nas micro, pequenas e médias empresas, a inadimplência avançou para 4,4%, influenciada principalmente por operações de capital de giro com garantia. Nas grandes empresas, o indicador permaneceu em 0,2%, mantendo estabilidade.
As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 10,49 bilhões, crescimento de 1,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. As despesas administrativas totalizaram R$ 16,44 bilhões, alta de 3,4% em doze meses, ritmo inferior ao avanço das principais receitas operacionais.
Noronha afirmou que o banco continuará adotando cautela na expansão do crédito diante das incertezas do cenário econômico internacional e da proximidade das eleições presidenciais no Brasil. Segundo o executivo, o Bradesco manterá uma estratégia de crescimento baseada em disciplina na alocação de capital e preservação da qualidade dos ativos.
O processo de transformação operacional também continua refletindo na estrutura da instituição. Ao final de junho, o Bradesco contava com 79.699 funcionários e 4.107 pontos de atendimento. Desde o fim de 2023, o quadro de colaboradores foi reduzido em 7,6%, enquanto a rede física encolheu 44,4%, em linha com a estratégia de ganho de eficiência e fortalecimento dos canais digitais.









