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BB tenta deixar conciliação sobre socorro de R$ 6,6 bilhões ao BRB

BB afirma que não representa outros bancos e questiona necessidade de participar da conciliação marcada por Luiz Fux para discutir socorro ao BRB

O impasse em torno da capitalização do BRB ganhou um novo capítulo com o pedido do Banco do Brasil ao Supremo Tribunal Federal para não participar da audiência de conciliação marcada para o próximo dia 13. A reunião foi convocada pelo ministro Luiz Fux para discutir alternativas de financiamento ao banco distrital, que busca uma operação de R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Na petição encaminhada ao Supremo, o Banco do Brasil sustenta que não integra formalmente a ação e que nunca recebeu mandato para representar outras instituições financeiras nas discussões. A manifestação ocorre apesar de o banco ter participado das negociações com instituições do chamado grupo S1, formado também por Itaú, Bradesco, Caixa, Santander e BTG.

As tratativas envolvem a possibilidade de os grandes bancos concederem garantias para permitir que o BRB obtenha recursos junto ao FGC. Parte das instituições privadas, porém, questiona a segurança jurídica das garantias oferecidas pelo governo do Distrito Federal, baseadas em receitas relacionadas aos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios.

O Banco do Brasil argumenta ainda que a proposta mais recente do Distrito Federal alterou a estrutura inicialmente discutida. Em vez de uma fiança concedida pelas instituições financeiras, o GDF passou a defender a vinculação direta de receitas ao FGC. Para o BB, essa mudança reduziria a necessidade de participação dos bancos na audiência.

A instituição afirmou que, caso sua presença seja mantida, as demais instituições envolvidas nas negociações também deveriam ser formalmente convocadas. O posicionamento evidencia a dificuldade de construir um modelo de garantias aceito simultaneamente pelos bancos, pelo FGC, pelo governo distrital e pela União.

O BRB busca reforçar sua liquidez após os impactos decorrentes de sua exposição ao Banco Master. A operação com o FGC é considerada uma das alternativas para estabilizar a instituição e reduzir pressões sobre seu balanço, mas ainda depende da definição de garantias consideradas juridicamente e financeiramente suficientes.

O próprio FGC resiste a assumir integralmente o risco da operação, enquanto as instituições financeiras demonstram cautela em fornecer garantias. Ao mesmo tempo, União e governo do Distrito Federal passaram a trocar críticas sobre a responsabilidade pela demora na implementação de uma solução.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rejeitou as acusações de que a administração federal estaria inerte nas negociações. Segundo ele, integrantes do governo vêm participando de reuniões para avaliar tanto as garantias oferecidas pelo Distrito Federal quanto os procedimentos necessários junto aos bancos e ao FGC.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, por sua vez, afirmou que o governo local pretende tratar a situação do BRB sob uma abordagem técnica, em meio ao aumento da pressão política sobre a condução do caso.

Enquanto a solução não é definida, o BRB segue recorrendo à venda de carteiras de crédito para preservar liquidez e cumprir obrigações. Essa estratégia permite gerar caixa no curto prazo, mas reduz o estoque de ativos que pode ser utilizado no futuro e pode elevar o custo de uma eventual capitalização.

O ponto central das negociações permanece sendo a distribuição dos riscos financeiros. Sem uma estrutura de garantias aceita pelos participantes, o empréstimo de R$ 6,6 bilhões continua sem definição, aumentando a pressão por uma solução antes que a capacidade de geração de liquidez do BRB seja ainda mais reduzida.

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