A JBS terá novamente um integrante da família Batista no comando executivo global. Wesley Batista Filho, de 34 anos, assumirá o cargo de CEO da companhia a partir de janeiro de 2027, sucedendo Gilberto Tomazoni, que passará a ocupar a vice-presidência do conselho de administração.
A mudança ocorre em um momento de maior integração da companhia com o mercado norte-americano e de expansão das operações internacionais. Wesley Batista Filho comandou nos últimos três anos a divisão da JBS nos Estados Unidos, hoje um dos mercados mais relevantes para o grupo.
Neto do fundador José Batista Sobrinho e filho de Wesley Batista, o executivo representa uma nova geração da família controladora. Sua chegada ao comando global marca o retorno dos Batistas à principal função executiva da empresa após cerca de oito anos.
“É uma transição natural, e estamos dando continuidade ao legado”, afirmou Batista Filho em entrevista antes da divulgação dos resultados da companhia referentes ao segundo trimestre.
Gilberto Tomazoni assumiu o comando da JBS em 2018 e se tornou o primeiro CEO global da empresa sem vínculo familiar com os controladores. Sua nomeação ocorreu depois de uma crise de governança que envolveu Wesley e Joesley Batista. Segundo Tomazoni, a sucessão vinha sendo preparada havia alguns anos.
Ao permanecer como vice-presidente do conselho, Tomazoni continuará participando da definição estratégica da companhia. A JBS ainda não informou quem substituirá Wesley Batista Filho no comando da operação norte-americana.
A experiência nos Estados Unidos ganhou relevância dentro da trajetória do futuro CEO. Durante sua gestão, a companhia enfrentou um período de oferta restrita de gado bovino no país, resultado da lenta recomposição do rebanho, cenário que pressionou custos e margens da indústria frigorífica.
A transição também ocorre em um momento no qual a JBS amplia sua exposição internacional. O grupo vem fechando operações para aumentar sua presença no Oriente Médio e no Sudeste Asiático, ao mesmo tempo em que mantém os Estados Unidos como um dos centros de sua estratégia.
A recente listagem das ações da companhia no mercado norte-americano reforçou esse movimento ao ampliar a proximidade com investidores globais e aumentar a relevância do mercado de capitais dos Estados Unidos para a estrutura financeira do grupo.
A reação inicial dos investidores à sucessão foi negativa. As ações da JBS chegaram a cair 6,8% durante o pregão, maior recuo desde maio, quando os negócios com os papéis haviam sido retomados depois de uma suspensão temporária.
A mudança de comando, contudo, não representa apenas uma troca de executivo. Ela ocorre enquanto a JBS busca consolidar uma estrutura mais global, com maior peso dos Estados Unidos, diversificação geográfica e ampliação da presença em diferentes segmentos de proteína.
Para os investidores, os próximos passos deverão ser acompanhados principalmente pela forma como a nova gestão conduzirá a expansão internacional, a alocação de capital e o desempenho das operações norte-americanas em um ambiente ainda desafiador para a produção de carne bovina.









