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CEO da Itaúsa vê economia mais fraca e alerta para cenário desafiador em 2027

Setubal avalia que juros altos, crédito pressionado e incertezas eleitorais exigirão cautela das empresas nos próximos meses

O enfraquecimento do consumo, os juros ainda elevados e o alto endividamento das famílias devem tornar o ambiente econômico brasileiro mais difícil nos próximos meses e em 2027. A avaliação é de Alfredo Setubal, CEO da Itaúsa (ITSA4), que vê sinais de desaceleração da atividade e considera que o cenário exigirá maior cautela das empresas.

Durante a teleconferência de resultados da holding, Setubal afirmou que o ritmo de crescimento da economia já perdeu força e destacou o comportamento do consumo como um dos principais sinais dessa mudança. Segundo o executivo, o nível elevado de endividamento das famílias tem limitado os gastos mesmo diante dos estímulos implementados pelo governo.

Na avaliação do CEO, as medidas de incentivo à atividade somaram cerca de R$ 200 bilhões no primeiro semestre, mas ainda não produziram uma aceleração significativa da economia. A combinação entre menor disposição para consumir e custo elevado do crédito também aumenta a atenção sobre a inadimplência.

Esse ambiente pode atingir inclusive os negócios que integram o portfólio da Itaúsa. Setubal admite a possibilidade de algum avanço dos atrasos no Itaú Unibanco e entre clientes de outras companhias investidas pela holding, embora considere essas empresas preparadas para atravessar um período econômico menos favorável.

Outro componente de incerteza apontado pelo executivo é o processo eleitoral de 2026. Para Setubal, eleições normalmente aumentam a cautela de investidores e consumidores diante das dúvidas sobre a condução futura da economia, podendo também provocar maior volatilidade nos mercados financeiros e nas taxas de juros.

No campo inflacionário, o CEO observa que a perda de força do consumo ajuda a reduzir as pressões sobre os preços. Ao mesmo tempo, fatores externos continuam representando riscos, especialmente os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre petróleo e energia.

A avaliação ocorre enquanto o Banco Central conduz uma redução gradual da Selic. Na semana passada, o Copom cortou os juros básicos pela quarta reunião consecutiva, de 14,25% para 14% ao ano, mas reiterou que a política monetária ainda precisa permanecer restritiva para assegurar a convergência da inflação à meta.

Setubal considera que a combinação entre atividade mais fraca, crédito caro e incerteza deve se prolongar. Pelos indicadores observados atualmente, afirmou, 2027 pode começar com uma economia ainda mais desacelerada.

Apesar da perspectiva mais cautelosa para o ambiente macroeconômico, o executivo ressaltou a resiliência do portfólio da Itaúsa. A holding encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 4,3 bilhões, crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2025.

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