O avanço dos volumes negociados na B3 em agosto não foi suficiente para melhorar a avaliação do BTG Pactual sobre as ações da companhia. O banco manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 19 para meados de 2027, ante cotação de referência de R$ 17,42.
O valor representa potencial de valorização de 9,1%. Considerando também os dividendos projetados, o BTG calcula retorno total potencial de 13,2%. As estimativas e a recomendação são do banco e não representam garantia de desempenho das ações.
A cautela está relacionada ao desempenho do terceiro trimestre. Pelos cálculos preliminares do BTG, o lucro antes de impostos da B3 está entre 3% e 4% abaixo tanto das estimativas dos analistas do banco quanto do consenso de mercado.
Os números de agosto, isoladamente, mostraram crescimento relevante em algumas linhas. O volume médio diário negociado em ações alcançou R$ 30,3 bilhões, alta de 26% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 34% na comparação com julho.
O mercado de balcão também avançou. O volume registrado atingiu R$ 4,34 trilhões, crescimento anual de 17%, enquanto o número de veículos financiados aumentou 10%. Nos derivativos, excluindo índices, a média chegou a 6,2 milhões de contratos por dia, com recuo de 1% em um ano e avanço de 13% frente ao mês anterior.
Mesmo com esses números e considerando os efeitos sazonais do verão no Hemisfério Norte, o desempenho acumulado do trimestre permanece ligeiramente abaixo das projeções. O BTG avalia, porém, que uma eventual elevação da volatilidade dos mercados poderia ampliar os volumes negociados e reduzir essa diferença.
Para acompanhar o desempenho da B3, o banco tem priorizado o lucro antes dos impostos. Segundo os analistas, efeitos retroativos relacionados aos juros sobre capital próprio provocam distorções no lucro líquido, tornando a métrica anterior aos tributos mais adequada para avaliar a geração recorrente de resultados neste momento.
O relatório também destacou as prioridades apresentadas pelo presidente-executivo da B3, Christian Egan, durante a abertura da B3 Week. No comando da companhia desde julho, o executivo colocou a confiança entre os principais pilares da estratégia, ao lado de clientes, tecnologia e pessoas.
A tecnologia ocupa posição central nessa agenda, especialmente diante do aumento da concorrência no mercado de infraestrutura financeira. Para o BTG, preservar a confiabilidade dos sistemas e a confiança dos participantes é uma prioridade adequada para uma companhia que ainda ocupa posição dominante, mas enfrenta um ambiente mais competitivo.
A B3 também busca reforçar sua conexão com investidores internacionais. Os não residentes respondem por quase metade do volume negociado no mercado acionário, enquanto investidores brasileiros têm acesso, por meio da plataforma, a cerca de 800 BDRs e mais de 300 ETFs.
Apesar das iniciativas estratégicas e do crescimento observado em agosto, o BTG não alterou sua visão sobre B3. Para exposição a possíveis movimentos de mercado associados ao ciclo de juros e ao período eleitoral, os analistas afirmaram manter preferência pelas ações da XP em relação às da operadora da bolsa.










