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Bolsa ganha força com estrangeiros, e Ibovespa pode alcançar 220 mil pontos, aponta Safra

Fluxo estrangeiro, commodities e bancos sustentam a visão positiva para a Bolsa, enquanto a situação fiscal aparece como principal risco para 2027

Os investidores mantêm uma visão construtiva para a Bolsa brasileira, sustentada pela expectativa de continuidade do fluxo estrangeiro, embora o cenário fiscal permaneça como principal fonte de preocupação. Pesquisa do Safra mostra que 72% dos participantes projetam o Ibovespa entre 180 mil e 220 mil pontos ao fim de 2027, enquanto 18% esperam o índice acima dos 220 mil pontos. O próprio banco trabalha com 220 mil pontos, potencial de valorização de 19,6% em relação ao nível considerado no levantamento.

O capital estrangeiro aparece como um dos principais vetores para o mercado. Entre os entrevistados, 44% esperam aumento dos aportes internacionais e 36% projetam estabilidade. Até 23 de setembro, investidores estrangeiros acumulavam entrada líquida de R$ 27,2 bilhões no mercado acionário brasileiro, segundo dados da B3. Apesar das expectativas favoráveis, 57% pretendem manter a atual exposição a ações e 63% não planejam alterar o nível de risco das carteiras.

Na escolha de setores, commodities lideram a preferência, com 34% das respostas, seguidas por serviços financeiros, com 32%. Segundo os estrategistas do Safra, o resultado reflete a procura por companhias de maior capitalização, receitas dolarizadas e dividendos, além de negócios com maior previsibilidade de resultados. Utilidades básicas aparecem com 10%, consumo e varejo com 9%, e construção e shoppings com 7%.
No cenário internacional, tecnologia continua no centro das estratégias. O setor foi apontado como principal oportunidade por 36% dos participantes. Na corrida da inteligência artificial, 45% acreditam que as grandes empresas de tecnologia serão as principais beneficiadas, seguidas por semicondutores, com 23%, energia, com 18%, e software, com 10%. Considerando as classes de ativos, 45% das respostas favorecem renda variável internacional, ante 38% para renda fixa local.

O principal ponto de atenção está dentro do Brasil. Para 55% dos entrevistados, a situação fiscal é o maior risco para 2027. As eleições presidenciais são vistas como um evento positivo para a Bolsa por 48% dos participantes e como neutro por 31%, enquanto a geopolítica é apontada como fator de risco para o mercado doméstico por 22%.

O levantamento ouviu 188 participantes da J. Safra Investment Conference, realizada nos dias 22 e 23 de setembro. Para os estrategistas Cauê Pinheiro, Carolina Carneiro, Yves Adam e Luana Nunes, os resultados mostram que a expectativa de maior fluxo estrangeiro convive com uma postura seletiva dos investidores, que preferem preservar a exposição à Bolsa e o nível de risco das carteiras.

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