Wall Street encerrou esta terça-feira (29) em leve queda, pressionada pela disparada dos rendimentos dos Treasuries e pela expectativa de que o Federal Reserve possa voltar a elevar os juros. O S&P 500 recuou 0,16%, aos 7.671,18 pontos; o Dow Jones caiu 0,25%, aos 51.350,99 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,09%, aos 26.797,54 pontos.
A pressão veio principalmente do mercado de títulos. O rendimento do Treasury de 10 anos permaneceu no maior nível desde 2007, enquanto o yield do papel de 30 anos atingiu 5,613%, maior patamar desde julho de 2002. Juros longos mais elevados aumentam o custo de financiamento na economia e reduzem a atratividade relativa das ações, especialmente de empresas mais sensíveis às taxas.
As expectativas para a política monetária também ganharam força após dirigentes do Fed reforçarem preocupação com a inflação. Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, alertou para os riscos de uma inflação persistentemente acima da meta, enquanto Michael Barr defendeu uma recalibragem da política monetária. Perto do fechamento, o mercado atribuía 51,5% de probabilidade a uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros em outubro e 91,7% de chance de elevação até dezembro.
Os dados divulgados nesta terça trouxeram sinais de enfraquecimento da economia. A confiança do consumidor caiu 6,7 pontos em setembro, para 81,9, menor nível desde 2014 e abaixo das expectativas. As vagas de emprego em aberto também recuaram para 7,079 milhões em agosto, ante previsão de 7,225 milhões.
Agora, as atenções se voltam para dois indicadores capazes de redefinir as apostas para os juros: o PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Fed, previsto para quarta-feira (30), e o relatório de empregos payroll, na sexta-feira (2). Números que indiquem desaceleração da inflação e do mercado de trabalho podem aliviar a pressão sobre os Treasuries e abrir espaço para uma reação dos ativos de risco.









