A XP Investimentos reformulou parte de sua carteira recomendada de fundos imobiliários para outubro, retirando o KNRI11 e aumentando a exposição a XPLG11, RBRR11 e RBRX11. A seleção reúne 15 FIIs e mantém os fundos de recebíveis como o segmento de maior peso no portfólio.
Segundo os analistas Marx Gonçalves e Eduardo Bacelar, os ajustes procuram reduzir posições em fundos considerados bem precificados, com menor potencial de valorização e poucos gatilhos no curto prazo. Em sentido contrário, a XP decidiu reforçar veículos que, na avaliação da casa, combinam ativos de maior qualidade, menor volatilidade, potencial de valorização e carrego considerado atrativo.
Além da saída de KNRI11, a corretora reduziu em 0,75 ponto percentual a participação de LVBI11 e em 0,25 ponto a de KNCR11. XPLG11 e RBRR11 tiveram seus pesos elevados em 1 ponto percentual cada, enquanto RBRX11 recebeu acréscimo de 0,50 ponto.
Com as mudanças, 41% da carteira de outubro está concentrada em fundos de recebíveis. Os FIIs de logística representam 21%, seguidos pelos fundos de fundos e multiestratégia, com 17,5%. Shoppings respondem por 16% e lajes corporativas pelos 4,5% restantes.
As alterações ocorrem depois de mais um mês negativo para o mercado de fundos imobiliários. O IFIX caiu 0,20% em setembro, completando a quinta queda mensal consecutiva e levando a perda acumulada em 2026 para 0,53%.
O comportamento chamou a atenção da XP porque ocorreu mesmo com a queda da curva de juros doméstica. Em setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, movimento que tende a favorecer ativos sensíveis às taxas de juros. Ainda assim, o segmento de FIIs não acompanhou a melhora observada em outros ativos brasileiros.
No ambiente externo, a corretora destaca a pressão dos juros internacionais, tanto nos prazos mais curtos quanto nos mais longos, além da influência do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries sobre a percepção de risco. No mercado doméstico, as incertezas relacionadas ao cenário eleitoral também aumentaram a cautela dos investidores, segundo a análise da XP.
A corretora avalia, porém, que a sequência negativa do IFIX não representa uma deterioração generalizada dos fundamentos dos fundos imobiliários. Eventos específicos de crédito e revisões para baixo na distribuição de rendimentos de alguns FIIs contribuíram para elevar a aversão ao risco, mas seriam pouco representativos da indústria como um todo.
Nos segmentos de imóveis físicos, a XP destaca redução das taxas de vacância, reajustes positivos nos aluguéis e inadimplência controlada. Esses indicadores sustentam a avaliação de que parte relevante dos portfólios continua apresentando fundamentos operacionais saudáveis apesar do desempenho recente das cotas na Bolsa.
A própria carteira recomendada teve resultado negativo em setembro. O portfólio recuou 0,41%, ante queda de 0,20% do IFIX, mas entregou dividend yield mensal de 1,02%. No acumulado de 2026, a seleção da XP registra valorização de 0,60%, enquanto o índice de fundos imobiliários recua 0,53%.
A estratégia para outubro, portanto, mantém uma parcela relevante da carteira em recebíveis, mas aumenta seletivamente a exposição a fundos nos quais a XP identifica maior potencial de valorização ou relação entre risco e retorno mais favorável. A seleção representa a avaliação da corretora para o período e não constitui garantia de desempenho futuro.
| Fundo imobiliário | Segmento | Peso |
|---|---|---|
| MCCI11 | Recebíveis | 9,00% |
| RBRR11 | Recebíveis | 8,00% |
| KNCR11 | Recebíveis | 10,75% |
| XPCI11 | Recebíveis | 8,75% |
| PCIP11 | Recebíveis | 4,50% |
| BTLG11 | Logística | 4,50% |
| LVBI11 | Logística | 2,75% |
| BRCO11 | Logística | 4,00% |
| XPLG11 | Logística | 9,75% |
| PVBI11 | Lajes corporativas | 4,50% |
| XPML11 | Shoppings | 10,50% |
| HSML11 | Shoppings | 2,00% |
| HGBS11 | Shoppings | 3,50% |
| CPTS11 | FOF/Multiestratégia | 8,00% |
| RBRX11 | FOF/Multiestratégia | 9,50% |
| Total | — | 100% |









