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Hapvida contrata BTG e XP e pode levantar R$ 1,5 bi com imóveis

Possível sale-leaseback integra estratégia da Hapvida para melhorar liquidez e reduzir alavancagem; negociações ainda estão em estágio inicial

A Hapvida (HAPV3) avalia vender parte de seus imóveis hospitalares e permanecer nas unidades como inquilina em uma operação que pode levantar até R$ 1,5 bilhão. A companhia contratou BTG Pactual e XP para analisar a transação, segundo pessoas a par das discussões ouvidas pela Bloomberg News.

A estrutura estudada é conhecida como sale-leaseback. Nesse modelo, a Hapvida transfere a propriedade dos imóveis para investidores, recebe os recursos da venda e simultaneamente firma contratos de aluguel de longo prazo para continuar utilizando os hospitais. Dessa forma, a operação permite transformar ativos imobiliários em caixa sem interromper a atividade assistencial nas unidades envolvidas.

As conversas ainda estão em estágio inicial e não há garantia de que a transação será concluída. A Hapvida afirmou que não comenta rumores ou especulações de mercado e acrescentou que mantém uma agenda contínua voltada à eficiência operacional. BTG e XP não comentaram as informações.

A possibilidade de monetização dos hospitais surge em um momento de aumento da alavancagem financeira da companhia. A relação entre dívida líquida e Ebitda chegou a 2,49 vezes no segundo trimestre de 2026, quase o dobro das 1,26 vez registradas um ano antes. A empresa vem avaliando alternativas para aumentar a liquidez, gerar caixa e fortalecer seu balanço.

Uma operação de até R$ 1,5 bilhão poderia contribuir para esse processo ao antecipar recursos hoje imobilizados em propriedades. Em contrapartida, o sale-leaseback transforma a posse dos imóveis em uma obrigação recorrente de aluguel, fazendo com que o efeito financeiro de longo prazo dependa das condições negociadas nos contratos, como prazo, valor das locações e reajustes.

A iniciativa se soma à tentativa de venda das operações da Hapvida na região Sul, processo anunciado no início deste ano. BTG e XP também atuam como assessores nessa frente e continuam negociando com potenciais compradores, segundo as fontes ouvidas pela Bloomberg.

Os movimentos fazem parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a alavancagem depois de anos de expansão da companhia, incluindo a combinação com a Notre Dame Intermédica. Desde a operação, a Hapvida trabalha para capturar ganhos de escala e melhorar a rentabilidade do grupo ampliado, enquanto investidores acompanham a evolução da dívida, geração de caixa e margens.

O perfil do endividamento também concentra a atenção no mercado doméstico. Segundo dados compilados pela Bloomberg, a Hapvida não possui títulos de dívida em circulação no mercado internacional, mantendo suas obrigações financeiras concentradas em instrumentos negociados no Brasil.

A eventual venda dos hospitais, portanto, representaria mais uma fonte de liquidez dentro do esforço para fortalecer a estrutura de capital da companhia. O valor efetivamente levantado, os imóveis envolvidos e as condições dos contratos de aluguel dependerão do avanço das negociações, que permanecem sem definição.

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