EconomiaEmpresasNotícias

BlackRock prevê crescer 30% no Brasil e vê avanço de investimentos no exterior

Com 90% dos ativos locais ligados a aplicações offshore, BlackRock aposta na diversificação internacional dos brasileiros para manter crescimento

A BlackRock projeta manter em 2027 um ritmo de expansão próximo de 30% em sua base de ativos no Brasil, apoiada principalmente pelo aumento da procura dos investidores brasileiros por aplicações internacionais. A expectativa foi apresentada por Bruno Barino, CEO da gestora no país, em entrevista à Reuters.

A operação brasileira registra neste ano crescimento entre 30% e 35% nos ativos, depois de avançar aproximadamente 12% em 2025 e apresentar fluxo negativo em 2024. Barino não informou o volume total administrado localmente, mas afirmou que cerca de 90% dos recursos relacionados à operação brasileira estão investidos no exterior.

Essa composição ajuda a explicar a expectativa de continuidade da expansão. Na avaliação do executivo, a diversificação internacional das carteiras brasileiras ainda está em processo de amadurecimento e pode sustentar novos fluxos mesmo sem depender diretamente de um crescimento mais forte da economia doméstica.

A estratégia encontra suporte no avanço dos ETFs entre os investidores brasileiros. Dados da B3 citados pela Reuters mostram que 862 mil pessoas físicas possuíam ETFs em suas carteiras no fim de junho, ante 639 mil um ano antes. Isso representa crescimento de aproximadamente 35% no número de investidores.

No mesmo intervalo, o valor mantido por pessoas físicas nesses fundos negociados em Bolsa avançou 62%, alcançando R$ 35,1 bilhões. A BlackRock participa desse mercado principalmente por meio da iShares, sua plataforma global de ETFs, que reúne cerca de US$ 5,5 trilhões sob gestão.

Entre os produtos administrados pela gestora no Brasil está o BOVA11, ETF que acompanha o Ibovespa e está listado na B3 desde 2008. Globalmente, a BlackRock administra mais de US$ 15,3 trilhões em ativos, o que amplia a diferença entre a escala internacional do grupo e sua participação ainda relativamente menor no mercado brasileiro.

Barino avalia que o Brasil deverá acompanhar uma tendência já observada em outros mercados: maior concentração da demanda em dois extremos. De um lado estão produtos passivos e de baixo custo, como os ETFs. Do outro, investimentos alternativos e estratégias especializadas, voltados a exposições que não são facilmente obtidas por meio dos mercados tradicionais.

A expansão da BlackRock no país, porém, vai além da gestão de recursos. A companhia também busca ampliar atividades em tecnologia, serviços de advisory e investimentos institucionais. Segundo Barino, o Brasil é uma exceção entre os grandes mercados globais de ativos investíveis porque a participação da BlackRock ainda é pequena em comparação com a presença que possui em outras economias.

Uma das oportunidades identificadas pela gestora está na infraestrutura. Portos, aeroportos, energia e a cadeia de data centers aparecem entre as áreas acompanhadas pela companhia, especialmente diante da necessidade global de investimentos relacionados à inteligência artificial.

Para Barino, a disponibilidade de energia e a dimensão do mercado consumidor mantêm o Brasil na disputa para se tornar um polo de infraestrutura de inteligência artificial na América Latina. O executivo considera que a oportunidade continua aberta, mas ressaltou que outros países também competem pela atração desse capital e que o tempo para estruturar projetos é relevante.

A capacidade brasileira de receber investimentos internacionais de longo prazo dependerá, segundo o CEO, de marcos regulatórios, políticas estruturais e maior coordenação para competir com outros destinos. Na avaliação dele, grandes projetos de infraestrutura disputam recursos globalmente e, por isso, vantagens naturais não são suficientes para garantir a entrada do capital.

Barino também relacionou essa capacidade à profundidade das reformas fiscais e das medidas destinadas a aumentar a competitividade da economia. Em sua avaliação, esses fatores serão mais determinantes para o investimento de longo prazo do que o resultado isolado das eleições. Trata-se da análise do executivo sobre as condições necessárias para ampliar a participação brasileira nos fluxos internacionais de capital, e não de uma projeção sobre o resultado eleitoral.

Mesmo diante dos juros elevados e das incertezas fiscais, Barino afirmou perceber uma visão mais favorável do Brasil entre investidores estrangeiros do que entre participantes domésticos. Para a BlackRock, o avanço da internacionalização das carteiras brasileiras, combinado à expansão dos ETFs e às oportunidades em infraestrutura e ativos alternativos, sustenta a expectativa de manter um crescimento próximo de 30% no país em 2027.

Postagens relacionadas

1 of 724