O recuo do dólar pode ajudar a reduzir as pressões inflacionárias e abrir espaço para o Banco Central acelerar os cortes da taxa básica de juros. A avaliação é de Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, que também afirmou que a ideia de que os bancos se beneficiam de juros elevados não corresponde às condições mais favoráveis para o setor.
As declarações foram feitas nesta terça-feira (6), durante o Panorama Itaúsa 2026, evento da holding que tem o Itaú como principal investimento de seu portfólio. A participação de Maluhy estava prevista para abordar a estratégia e as perspectivas do banco.
Segundo o executivo, o atual ambiente de juros elevados e forte comprometimento da renda das famílias continua desafiador para o sistema financeiro. Apesar disso, Maluhy afirmou que a carteira de crédito do Itaú vem apresentando desempenho superior à média e acumula seis trimestres de estabilidade nos índices de inadimplência.
Ao tratar do nível dos juros, Maluhy contestou a percepção de que taxas elevadas necessariamente favorecem os bancos. Segundo ele, um ambiente com juros abaixo de dois dígitos cria condições melhores para a atividade econômica, o emprego, o consumo e a concessão sustentável de crédito, além de aumentar a capacidade das famílias de honrar suas dívidas.
O CEO também destacou a importância do controle da inflação para a redução dos juros. Na avaliação de Maluhy, a alta dos preços atinge principalmente as famílias de menor renda, enquanto uma inflação mais baixa amplia a margem de atuação do Banco Central.
Nesse contexto, o comportamento recente do câmbio passou a ser acompanhado com atenção. Maluhy afirmou que o dólar em patamares mais baixos representa uma notícia favorável para a inflação e que, caso a desaceleração dos preços se confirme, o BC poderá encontrar condições para acelerar o ciclo de cortes da Selic. O executivo, porém, ressaltou que ainda é cedo para antecipar esse cenário.
Embora Maluhy não tenha relacionado diretamente o movimento cambial às eleições, o real registrou forte valorização depois do primeiro turno. O dólar caiu 4,12% na segunda-feira e voltou a operar abaixo de R$ 5 nesta terça. Por volta das 11h40, a moeda recuava 0,47%, cotada a R$ 4,9774.
A reação ocorreu em meio à reprecificação dos ativos brasileiros após o resultado eleitoral. A associação entre o desempenho do câmbio e diferentes expectativas para o segundo turno representa uma leitura do mercado, e o comportamento da moeda também depende de fatores externos, fluxos de capital e perspectivas para juros no Brasil e no exterior.
Para o Itaú, um ambiente de inflação controlada e juros menores tende a favorecer a expansão do crédito em bases mais sustentáveis. Maluhy, contudo, evitou antecipar a velocidade dos próximos movimentos do Banco Central e afirmou que será necessário acompanhar os dados e as condições do mercado antes de considerar um cenário econômico mais benigno.








