A negociação de derivativos na bolsa brasileira ganhou intensidade em 2026, impulsionada pela expansão das operações com opções de ações, fundos de índice, recibos de ações estrangeiras e índices de mercado. Dados da B3 mostram que esses contratos movimentaram, em média, R$ 1,4 bilhão por pregão entre janeiro e 9 de outubro, estabelecendo um novo recorde anual para o segmento.
O resultado representa crescimento de 79% em relação à média diária de R$ 781 milhões registrada em 2025. Dois anos antes, em 2024, o mercado movimentava aproximadamente R$ 705 milhões por dia, indicando uma trajetória de expansão que ganhou força neste ano.
Além do aumento das negociações, a bolsa identificou crescimento expressivo no número de contratos que permanecem ativos nas carteiras dos participantes. Em 9 de outubro, as posições em aberto alcançaram 8,5 bilhões de contratos, ante 5,8 bilhões no encerramento de 2025 e 4,3 bilhões em dezembro de 2024.
A média diária de contratos em aberto também atingiu o maior nível da série apresentada pela B3, chegando a 7,1 bilhões em 2026. O indicador havia sido de 5,6 bilhões em 2025 e 5,4 bilhões em 2024. Na comparação anual, a expansão foi de aproximadamente 27%.
As posições em aberto, conhecidas no mercado como open interest, representam contratos que ainda não foram encerrados ou liquidados. Seu crescimento, combinado com a elevação do volume negociado, indica maior utilização desses instrumentos pelos participantes do mercado.
Entre os segmentos que contribuíram para o avanço estão as opções com vencimento semanal, utilizadas em estratégias de investimento e proteção com prazos mais curtos. Considerando contratos sobre ações, ETFs e BDRs, a média financeira diária passou de R$ 50 milhões em 2025 para R$ 106 milhões em 2026, mais que dobrando em um ano.
A expansão é ainda mais significativa quando comparada a 2024, período em que esses instrumentos movimentavam aproximadamente R$ 19 milhões por pregão.
As opções mensais sobre ações, ETFs e BDRs continuam concentrando a maior parcela das negociações. O volume médio diário dessa categoria alcançou R$ 992 milhões em 2026, frente a R$ 637 milhões no ano anterior, crescimento de aproximadamente 56%. Em 2024, a média era de R$ 539 milhões.
Outro destaque são os contratos de opções sobre índices, que incluem vencimentos mensais, semanais e diários. A movimentação média atingiu R$ 273 milhões por dia neste ano, quase três vezes os R$ 94 milhões registrados em 2025. Em 2024, esse segmento havia apresentado média diária de R$ 147 milhões.
Para Renato Munhoz, gerente de Equities da B3, os resultados refletem o desenvolvimento do mercado brasileiro de derivativos e a ampliação das alternativas disponíveis para diferentes estratégias financeiras.
“O recorde de negociação mostra que o mercado de Opções da B3 está mais desenvolvido e ocupa um espaço cada vez mais relevante no universo de derivativos. Os resultados de 2026 refletem essa expansão, com crescimento consistente da negociação e das posições em aberto”, afirma.
Segundo o executivo, a bolsa pretende continuar fortalecendo a liquidez e a eficiência desse mercado, que permite aos investidores estruturar operações de proteção, posicionamento e administração de riscos.
O crescimento também aparece nos recordes registrados em pregões específicos. Em outubro, a negociação conjunta de opções mensais e semanais sobre ações, ETFs e BDRs atingiu R$ 2,96 bilhões em um único dia, superando a marca anterior de R$ 2,7 bilhões, estabelecida em fevereiro.
Outros sete pregões de 2026 ultrapassaram R$ 2 bilhões em movimentação financeira, patamar que não havia sido alcançado anteriormente por essa categoria.
Considerando exclusivamente as opções mensais desses ativos, outubro também registrou um novo máximo diário, de R$ 2,77 bilhões. O resultado superou os R$ 2,4 bilhões negociados em março.
Nos contratos semanais, o recorde ocorreu em junho, quando o volume financeiro de um único pregão chegou a R$ 1,08 bilhão. A categoria já havia ultrapassado R$ 1 bilhão em fevereiro, demonstrando a ampliação da atividade em operações com vencimentos mais próximos.
O desempenho de outubro também se destacou pela média de negociação. Até o dia 9, as opções mensais e semanais de ações, ETFs e BDRs movimentaram R$ 1,8 bilhão por dia no mês, acima dos R$ 1,4 bilhão de março e dos R$ 1,3 bilhão de fevereiro.
O avanço amplia a relevância de um segmento utilizado tanto para proteção de investimentos quanto para estratégias direcionadas a diferentes cenários de mercado.
Uma opção é um contrato derivativo que concede ao comprador o direito de adquirir ou vender determinado ativo por um preço previamente definido, chamado preço de exercício, observadas as condições e a data de vencimento. Em contrapartida, o vendedor assume as obrigações estabelecidas no contrato.
Para obter esse direito, o comprador paga ao vendedor um valor denominado prêmio. Dependendo da estrutura utilizada, a operação pode funcionar como proteção contra oscilações desfavoráveis de preços ou como instrumento para assumir exposição a movimentos de alta e de queda.
Na B3, esses contratos estão disponíveis para diferentes ativos e prazos. As opções de ações, ETFs e BDRs contam com vencimentos mensais e semanais, enquanto determinados índices também oferecem alternativas de vencimento diário.
Essa variedade permite ajustar o horizonte das operações às necessidades dos participantes, embora a utilização dos instrumentos envolva riscos específicos.
Nas opções tradicionais compradas, a perda direta máxima do investidor geralmente corresponde ao prêmio desembolsado, caso o contrato perca seu valor. Para quem vende opções, entretanto, as perdas potenciais podem ser significativamente superiores, dependendo das condições e das garantias da operação.
Por essa razão, o aumento da liquidez não elimina a necessidade de avaliar custos, riscos e características dos contratos. A negociação de opções exige conhecimento sobre o funcionamento dos derivativos e compatibilidade entre a estratégia adotada e o perfil de risco do investidor.









