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Clientes do BTG terão novas contas bancárias nos EUA

Contas internacionais do BTG passarão ao BTG Pactual Bank nos EUA a partir de 15 de novembro, com novos dados bancários e cartões

Os clientes do BTG Pactual (BPAC11) que possuem contas internacionais terão de aceitar novos termos e condições até 3 de dezembro para manter os serviços bancários nos Estados Unidos. A exigência faz parte da transferência dessas contas para o BTG Pactual Bank, N.A., instituição controlada pelo grupo brasileiro desde a conclusão da aquisição do M.Y. Safra Bank, em janeiro de 2026.

A migração começará em 15 de novembro, quando as contas atuais serão encerradas e substituídas por novas contas no banco americano. Até essa data, os clientes poderão utilizar normalmente os serviços existentes. As informações foram divulgadas pela Bloomberg Línea, que teve acesso às comunicações enviadas pelo BTG por WhatsApp e pelo aplicativo.

A aceitação das novas condições deverá ser realizada pelos aplicativos BTG Investimentos ou BTG Banking. Segundo os comunicados, quem não concluir o procedimento até o prazo estabelecido terá a conta internacional e o cartão cancelados.

A mudança também envolverá a substituição do número da conta e do routing number, código utilizado para identificar instituições financeiras nos Estados Unidos. Os novos dados serão disponibilizados após a abertura da conta. Clientes com cartões de débito físicos precisarão confirmar o endereço para receber uma nova unidade, enquanto os cartões virtuais serão emitidos automaticamente.

Apesar das alterações bancárias, o BTG informou que o acesso pelo aplicativo, os dados cadastrais e a oferta de produtos permanecerão inalterados. A nova estrutura será operada pelo BTG Pactual Bank, N.A., instituição integrante do Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), sistema americano de garantia de depósitos.

Atualmente, os investimentos mantidos pelos clientes internacionais ficam sob custódia da corretora americana do BTG, enquanto os serviços bancários são oferecidos por meio de uma parceria com o Regent Bank. Com a migração, essa segunda atividade passará a ser realizada diretamente pelo banco do grupo.

Em manifestação à Bloomberg Línea, Renato Moritz, sócio e co-CEO da corretora americana do BTG e responsável pela estratégia de contas internacionais, afirmou que a transferência integra o processo de consolidação das operações do banco nos Estados Unidos com os clientes atendidos no Brasil e em outros mercados.

A iniciativa também faz parte da estratégia de expansão internacional da instituição, que pretende reunir serviços bancários e produtos de investimento em uma única plataforma. Entre as possibilidades previstas está a concessão de crédito com ativos financeiros oferecidos como garantia, além da ampliação da oferta de financiamento imobiliário para brasileiros interessados em adquirir propriedades nos Estados Unidos.

O BTG identifica oportunidades de crescimento entre residentes em estados como Flórida, Massachusetts e Nova York, onde há presença significativa de brasileiros e outros latino-americanos. A estratégia ocorre em um mercado disputado por instituições como Itaú, Inter, Nubank, Nomad e Avenue, que também buscam ampliar o atendimento financeiro internacional.

A entrada do BTG no mercado americano de contas internacionais ocorreu em novembro de 2023, inicialmente com acesso a ações, fundos negociados em bolsa (ETFs) e fundos imobiliários dos Estados Unidos. Posteriormente, a plataforma passou a oferecer produtos de renda fixa, fundos de investimento e ETFs estruturados sob a regulamentação europeia UCITS.

A operação bancária própria tornou-se possível após a aquisição do M.Y. Safra Bank, anunciada em junho de 2024 e concluída em janeiro de 2026, depois da aprovação das autoridades reguladoras americanas. Fundado em Nova York em 2013, o banco atuava principalmente nos segmentos de gestão patrimonial e financiamento imobiliário, com ativos de US$ 404 milhões ao final de março de 2024.

A licença bancária permite ao BTG captar depósitos e conceder empréstimos diretamente nos Estados Unidos. A instituição já iniciou a captação de recursos em dólar, mas ainda desenvolve ajustes tecnológicos e operacionais previstos para 2026 e 2027.

Segundo Renato Cohn, diretor financeiro do BTG Pactual, a expectativa é que a estrutura americana alcance maior robustez até o final de 2027. A migração das contas internacionais representa uma das etapas desse processo, ao substituir a dependência de um banco parceiro por uma operação bancária própria no mercado americano.

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