A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação nos ativos brasileiros negociados no exterior na noite deste domingo (25). O iShares MSCI Brazil (EWZ), fundo de índice que acompanha o desempenho de ações de empresas brasileiras na Bolsa de Nova York, chegou a registrar queda de 19,63% nas negociações fora do horário regular, sendo cotado a US$ 34,23.
O movimento ocorreu após a confirmação da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Com mais de 99% das urnas apuradas, o presidente somava 51,76% dos votos válidos, contra 48,24% do adversário, uma diferença superior a 4,3 milhões de votos.
A reação negativa refletiu a necessidade de revisão das posições assumidas por parte dos investidores, que vinham considerando a possibilidade de uma mudança na condução da política econômica. Flávio Bolsonaro havia encerrado o primeiro turno com vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos sobre Lula, resultado que favoreceu a valorização de ativos brasileiros nas semanas seguintes.
Segundo Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o mercado havia incorporado expectativas de ajustes nas contas públicas e redução dos prêmios de risco associados à eventual vitória do candidato do PL. Esse cenário contribuiu para a valorização de ações e outros ativos nacionais, embora a proximidade da votação já tivesse levado investidores a adotar maior cautela.
William Castro, estrategista-chefe da Avenue, avaliou que os movimentos registrados na noite de domingo ainda não permitem dimensionar a reação definitiva dos mercados. O especialista destacou que as negociações fora do horário regular apresentam menor liquidez, o que pode ampliar as oscilações de preços. Ainda assim, os primeiros sinais indicavam uma reversão expressiva dos ganhos acumulados após o primeiro turno.
A Capital Economics também havia considerado a possibilidade de uma correção relevante na Bolsa brasileira em caso de vitória de Lula. A consultoria projetou uma queda entre 5% e 10% do Ibovespa no primeiro pregão após o segundo turno, estimativa que dependerá das condições de mercado na abertura desta segunda-feira (26).
Felipe Balassiano, responsável pela área de multimercados do ASA, afirmou que o resultado eleitoral contrariou o posicionamento predominante entre investidores. Na avaliação do gestor, a abertura dos mercados poderá ser marcada por ajustes significativos nos preços dos ativos, diante da necessidade de incorporar o novo cenário político.
Balassiano também apontou a possibilidade de pressão sobre o real e elevação das taxas de juros futuros, movimentos associados às expectativas dos investidores em relação à trajetória fiscal do país. Segundo ele, a intensidade da reação dependerá dos sinais apresentados pelo governo sobre o compromisso com a responsabilidade fiscal.
Além do EWZ, contratos futuros da moeda brasileira negociados em Chicago registraram forte desvalorização durante a apuração. O movimento refletiu a revisão das expectativas sobre a política econômica e a demanda por proteção cambial diante do resultado eleitoral.
O desempenho dos ativos no exterior funciona como uma referência inicial para o mercado brasileiro, mas não determina necessariamente a magnitude das oscilações na B3. A menor liquidez das negociações noturnas pode produzir variações mais intensas do que aquelas observadas durante o funcionamento regular das bolsas.
A abertura dos mercados nesta segunda-feira será o primeiro momento de avaliação mais ampla da reação dos investidores à continuidade do governo Lula. Além do comportamento do Ibovespa e do dólar, a atenção estará concentrada na curva de juros futuros e nas sinalizações sobre a condução da política fiscal e econômica no próximo mandato.










