Empresas exportadoras, construtoras voltadas à habitação popular e companhias com geração de caixa consistente estão entre os segmentos que podem apresentar maior resistência às oscilações do mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A avaliação é de Gabriel Mollo, analista de renda variável da Daycoval Corretora, que identifica oportunidades em diferentes setores da Bolsa brasileira diante da continuidade da atual política econômica.
Segundo o especialista, a permanência de Lula na Presidência mantém as atenções dos investidores sobre a trajetória das contas públicas, o crescimento da dívida e a capacidade do governo de apresentar medidas para estabilizar o endividamento. A ausência de avanços nessa área pode prolongar o período de juros elevados e limitar a valorização das empresas listadas.
Nesse ambiente, Mollo considera que a seleção de ações deverá priorizar companhias com receitas previsíveis, endividamento controlado, capacidade de geração de caixa e exposição ao mercado internacional.
Entre as exportadoras, o analista destaca Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3) e Gerdau (GGBR4). As três empresas possuem receitas relevantes em moeda estrangeira e podem se beneficiar de uma eventual desvalorização do real, que aumenta o valor das receitas externas quando convertidas para a moeda brasileira.
O especialista ressalta, entretanto, que o impacto cambial não é necessariamente positivo em todas as circunstâncias. Custos denominados em dólar, preços internacionais das commodities e demanda global também influenciam os resultados dessas companhias.
No setor imobiliário, Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) aparecem entre as empresas que podem apresentar maior resiliência. A avaliação considera a continuidade das políticas habitacionais e dos mecanismos de financiamento destinados à população de menor renda, que podem sustentar a procura por imóveis populares.
O desempenho das construtoras, contudo, permanece condicionado às regras dos programas habitacionais, ao volume de subsídios, aos custos das obras e à capacidade de execução dos empreendimentos. Empresas concentradas nos segmentos de média e alta renda tendem a apresentar maior sensibilidade às condições de crédito.
A análise do Daycoval também identifica características defensivas em Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3), cujas atividades apresentam receitas relativamente previsíveis e menor dependência das oscilações mais intensas da atividade econômica.
BB Seguridade (BBSE3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Petrobras (PETR4) completam o grupo de empresas mencionadas pelo analista em razão da geração de caixa e da capacidade de distribuição de resultados aos acionistas.
No caso da Petrobras, Mollo ressalta que a política de preços, as decisões de investimento e a influência do acionista controlador continuam sendo fatores relevantes. Por essa razão, a estatal não deve ser considerada uma proteção automática contra os riscos associados à política fiscal.
A avaliação também considera os efeitos de uma eventual pressão sobre o câmbio. Uma desvalorização do real pode favorecer empresas com receitas externas, mas tende a elevar os custos de importação e pressionar as expectativas de inflação, dificultando a redução das taxas de juros.
Para o analista, a condução das contas públicas será determinante para o desempenho dos ativos brasileiros no próximo mandato. Uma política fiscal capaz de melhorar as expectativas dos investidores poderá reduzir os prêmios de risco e ampliar as possibilidades de valorização da Bolsa, inclusive entre empresas mais dependentes do crédito e do consumo doméstico.










