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Real despenca mais de 11% após reeleição de Lula

Contratos da moeda brasileira registraram forte desvalorização em Chicago, enquanto especialistas projetam pressão sobre o dólar e os juros na abertura dos mercados nesta segunda

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte desvalorização do real no mercado futuro internacional na noite de domingo (25). Os contratos da moeda brasileira negociados na Bolsa de Chicago (CME) chegaram a registrar perdas superiores a 11%, em uma reação dos investidores ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais.

O movimento ocorreu após a confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), resultado que contrariou o cenário considerado por parte dos investidores depois do primeiro turno e das pesquisas eleitorais divulgadas na reta final da campanha.

A desvalorização observada em Chicago representa uma reação antecipada do mercado cambial, já que as negociações regulares do dólar no Brasil estavam encerradas. Os preços dos contratos futuros internacionais funcionam como referência para as expectativas dos investidores, mas não determinam necessariamente a cotação que será registrada no mercado à vista.

Para Marcos Weight, diretor de Tesouraria da Travelex Bank, o dólar deve iniciar o pregão brasileiro acima de R$ 5,30. O especialista considera possível que a intensidade das oscilações leve o Banco Central a atuar no mercado para conter movimentos excessivos da moeda americana.

Na avaliação de Weight, a autoridade monetária poderá realizar intervenções por meio da venda de dólares à vista. O diretor também prevê pressão sobre a curva de juros futuros, que reflete as expectativas dos investidores para o custo do dinheiro nos próximos meses e anos.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também espera um período de volatilidade elevada no câmbio e nos contratos de juros futuros. Segundo ele, a reação dos investidores poderá alcançar o mercado de títulos públicos, diante das incertezas sobre a trajetória das contas do governo.

O economista projeta que o dólar poderá permanecer próximo de R$ 5,40 ao longo de 2027. Essa estimativa considera um cenário de inflação mais persistente, que reduziria a margem do Banco Central para promover novos cortes na taxa Selic.

Na análise de Sung, a economia brasileira poderá apresentar crescimento um pouco maior, mas a persistência das pressões inflacionárias exigiria cautela na condução da política monetária. A combinação de câmbio pressionado e expectativas de inflação elevadas tende a influenciar as decisões sobre os juros básicos.

O resultado eleitoral também alterou as expectativas de investidores que vinham considerando uma mudança na orientação da política fiscal. Com a continuidade do governo Lula, o mercado passa a avaliar os sinais que serão apresentados sobre controle de despesas, trajetória da dívida pública e equilíbrio das contas federais.

A abertura das negociações nesta segunda-feira será acompanhada principalmente pelo comportamento do dólar à vista, dos contratos futuros de câmbio e das taxas de juros. A intensidade dos movimentos dependerá do volume de operações, da atuação dos investidores e de eventuais medidas adotadas pelo Banco Central para assegurar o funcionamento regular do mercado.

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