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O BTG Pactual revisou suas recomendações no setor de seguros, elevando Caixa Seguridade (CXSE3) de neutra para compra e rebaixando BB Seguridade (BBSE3) de compra para neutra. A decisão reflete uma mudança de percepção sobre a resiliência e a lucratividade da controlada da Caixa Econômica Federal, que, segundo os analistas do banco, merece um prêmio mais elevado no mercado.
A equipe liderada por Eduardo Rosman destacou que a Caixa Seguridade surpreendeu positivamente em 2024, com lucros ligeiramente acima do esperado mesmo em meio à deterioração do cenário macroeconômico desde o segundo semestre do ano anterior. Esse desempenho chamou a atenção pela robustez do modelo de negócios, sustentado por uma diversificação que garante maior estabilidade em tempos de incerteza.
Segundo os analistas, aproximadamente 27% dos lucros da companhia vêm do seguro hipotecário, cujas reservas têm duration de 10 a 12 anos, e 18% são provenientes dos fundos de pensão privados. Essa estrutura confere um colchão de rentabilidade e reduz a sensibilidade às oscilações da taxa Selic, ao contrário de outras seguradoras mais expostas ao crédito de curto prazo ou a produtos sazonais.
Outro ponto positivo apontado pelo BTG é o perfil de risco mais estável da Caixa Seguridade. Enquanto o BB Seguridade tem forte exposição ao seguro rural, mais suscetível a eventos climáticos, a CXSE tem como principal risco as variações na taxa de mortalidade — o que resulta em um índice de perdas historicamente mais previsível.
Mesmo sem alterar suas estimativas ou o preço-alvo de R$ 19, o banco vê na Caixa Seguridade um potencial de valorização de 26%, com retorno total estimado de 35% incluindo dividendos ao longo de 2025.
BB Seguridade: pausa após forte valorização
Já para o BB Seguridade, o BTG adota uma postura mais cautelosa. Apesar do bom desempenho recente — as ações subiram mais de 20% no ano, ajustadas por dividendos — o banco acredita que o espaço para novas altas é limitado no curto prazo. A ação superou não apenas o Ibovespa, mas também a própria CXSE3, o que levou os analistas a entenderem que é hora de realizar lucros e reavaliar a estratégia.
Além disso, o BTG aponta que o Banco do Brasil, controlador da BB Seguridade, enfrenta restrições de capital que limitam sua capacidade de continuar executando recompras de ações, o que reduz um dos principais vetores de valorização. Outro fator de incerteza é a renegociação do contrato de distribuição entre as duas companhias, que, segundo os analistas, é difícil de prever no atual momento.
Apesar do rebaixamento, o BTG mantém uma visão construtiva sobre a BB Seguridade e sustenta o preço-alvo de R$ 46, o que ainda representa um potencial de alta de 12%, com retorno total de 22% ao considerar os dividendos esperados para 2025.
No balanço final, o banco sinaliza que vê maior assimetria positiva em CXSE3, considerando a solidez do modelo de negócios, o perfil de risco mais estável e o momento favorável para valorização em Bolsa.