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O BTG Pactual negou oficialmente ter feito qualquer proposta para adquirir ativos ou participação no capital do Banco Master, em resposta a um ofício enviado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A declaração veio após a autarquia solicitar esclarecimentos sobre possíveis negociações envolvendo o banco controlado por Daniel Vorcaro, cuja operação de venda ao Banco de Brasília (BRB) foi concluída na última sexta-feira (28).
No comunicado enviado ao mercado, o BTG informou que “nunca fez proposta para aquisição de ativos ou de participação no capital social do Banco Master”. A instituição argumentou que, por esse motivo, não havia necessidade de divulgar fato relevante, conforme determina a regulação vigente.
A CVM questionou o banco após a publicação de uma reportagem da Folha de S.Paulo, que mencionava a possibilidade de o BTG participar da aquisição de ativos do Master, especialmente a carteira de precatórios — considerados títulos ilíquidos e que não foram incluídos na operação entre Master e BRB. O texto ainda citava conversas com o Banco Central, nas quais todas as alternativas estariam em discussão, inclusive a entrada do BTG como parte do arranjo.
A matéria indicava ainda que André Esteves, sócio sênior do BTG, teria participado de tratativas com Vorcaro envolvendo uma possível compra desses ativos por cerca de R$ 3 bilhões, com o uso do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para mitigar eventuais riscos relacionados à operação. Procurado pela reportagem, o BTG não havia respondido naquele momento.
Em sua resposta formal, o banco reforçou que monitora regularmente oportunidades de consolidação no setor financeiro, mas que negociações como as citadas fazem parte do curso ordinário dos negócios, conduzidas de forma rotineira por suas equipes especializadas. No entanto, reiterou que, no caso específico do Banco Master, nenhuma proposta foi feita.
A CVM, por sua vez, também foi questionada pela imprensa sobre a possibilidade de abertura de processo investigativodevido à oscilação das ações do BRB nos últimos dias, motivada por informações desencontradas desde o anúncio da operação. O órgão regulador, no entanto, afirmou que não comenta casos específicos.
A movimentação nos bastidores se intensificou desde o anúncio da venda do Master ao BRB. No sábado, Esteves foi o primeiro a ser recebido pelo novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com reunião marcada logo às 9h da manhã de segunda-feira (31). Ainda no mesmo dia, às 17h30, Galípolo encontrou-se com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Já o controlador do Master, Daniel Vorcaro, foi recebido apenas no dia seguinte, às 11h.
O BRB, por sua vez, não demonstra oposição à possível aquisição da carteira de precatórios do Master por parte do BTG. Os ativos ficaram de fora do acordo societário e representam justamente um dos nichos estratégicos do banco de André Esteves.