(Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional)
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está marcada para 17 e 18 de março de 2026, quando o Banco Central voltará a avaliar os rumos da taxa Selic em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e maior volatilidade nos mercados globais. Conflitos recentes no Oriente Médio e oscilações no preço do petróleo ampliaram as incertezas econômicas e passaram a influenciar as expectativas dos investidores e analistas de mercado sobre o ritmo de corte dos juros no Brasil.
Nos últimos dias, as apostas do mercado passaram por mudança. Dados da B3 mostram que a expectativa migrou para um corte mais moderado de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, superando a aposta anterior de redução de 0,50 ponto. A mudança ocorreu após sinais de inflação mais resistentes e diante da alta recente do petróleo, fatores que podem pressionar preços e exigir maior cautela do Banco Central.
Economistas destacam que o BC enfrenta um equilíbrio. De um lado, há a necessidade de iniciar um ciclo de redução dos juros para apoiar a atividade econômica após um longo período de Selic elevada (atualmente em torno de 15% ao ano). De outro, choques externos, como conflitos geopolíticos e oscilações nas commodities, podem elevar expectativas de inflação e limitar a velocidade de queda da taxa de juros.
Para o investidor, porém, o ponto não é prever com precisão o tamanho do próximo corte de juros. O ritmo da política monetária muda ao longo do ciclo econômico e pode ser alterado rapidamente por eventos imprevisíveis, como crises internacionais. Decisões baseadas apenas na expectativa imediata da Selic costumam gerar movimentos reativos e pouco consistentes na construção de patrimônio.
Por isso reforço nos meus artigos: um plano estruturado continua sendo o principal ponto de sustentação do investidor em cenários de inflação pressionada, conflitos internacionais e mudanças nos juros. Oscilações de mercado exigem leitura, não reação impulsiva. Quem mantém decisões alinhadas ao próprio perfil e aos objetivos de longo prazo tende a atravessar períodos de instabilidade com mais consistência e menos exposição a erros provocados pelo curto prazo.









