O cenário prolongado de juros elevados no Brasil exige maior seletividade dos investidores e uma análise mais criteriosa do risco de crédito das empresas. Esse foi um dos principais pontos debatidos no painel “Seleção estratégica em ciclos de juros altos”, durante o Smart Summit 2026.
O debate contou com a participação de Bernardo Teixeira, Relações com Investidores da ARX, e Rafael Morais, Relações com Investidores da Iridium, com mediação de Bruno Boccato, Sales de Renda Variável da InvestSmart XP.
Durante a discussão, Rafael Morais destacou que períodos prolongados de juros elevados pressionam especialmente as empresas mais alavancadas, ao encarecer significativamente o custo do endividamento e aumentar o risco de desafios financeiros.
“Quando os juros permanecem altos por muito tempo, o impacto nas companhias é profundo. O custo da dívida fica muito pesado e até empresas com históricos longevos podem acabar entrando em recuperação judicial ou extrajudicial”, afirmou.
Segundo ele, quando companhias de grande porte enfrentam desafios, o mercado de crédito tende a ficar mais rigoroso, especialmente com empresas de médio e pequeno porte, já que a percepção de risco aumenta. Episódios recentes, como o caso Americanas, reforçam esse movimento de cautela entre investidores e credores.
Bernardo Teixeira ressaltou que fatores locais e internacionais também influenciam diretamente o ambiente de investimentos, como eleições e conflitos geopolíticos. Diante desse cenário, a estratégia da ARX tem sido adotar uma postura mais defensiva, mesmo que isso signifique renunciar a parte do retorno no curto prazo.
No painel, os especialistas também discutiram o comportamento dos investidores em fundos imobiliários (FIIs). Rafael Morais destacou que esse mercado é amplamente dominado pelo investidor de varejo, que costuma focar na renda mensal distribuída pelos fundos.
Para ele, uma visão de médio e longo prazo permite identificar oportunidades mais consistentes, já que os fundamentos desses ativos permanecem os mesmos ao longo do tempo. “Se você possui um imóvel físico, não avalia o preço dele todos os dias. Então por que fazer isso com um fundo imobiliário?”, comparou.
Outro segmento mencionado foi o de fundos de infraestrutura (FI-Infra), que tendem a oferecer maior previsibilidade de renda ao investidor devido à natureza dos projetos e dos contratos envolvidos.
Fluxo para CDI e novas estratégias
O debate também abordou o forte fluxo recente para ativos atrelados ao CDI. Segundo Bernardo Teixeira, mais de 95% das alocações recentes foram direcionadas para fundos ligados a esse indexador. No entanto, ele avalia que os retornos observados nos últimos 12 meses dificilmente serão mantidos no patamar.
Em muitos casos, segundo ele, já não há yield adicional ou spreads relevantes nesses ativos, o que exige uma análise mais cuidadosa das alternativas disponíveis.
Por fim, Rafael Morais destacou que oscilações em produtos de renda fixa fazem parte da dinâmica de mercado e que investidores com visão de longo prazo tendem a capturar melhores oportunidades.
Entre as estratégias mencionadas estão os fundos híbridos, que combinam uma parcela mais protegida da carteira com outra exposta a maior risco, permitindo equilibrar segurança e potencial de retorno em cenários de maior volatilidade.









