O Brasil tem chamado atenção no radar dos investidores ao registrar entrada de capital em fundos de ações mesmo em um cenário de queda mais moderada da Selic — movimento que se torna ainda mais relevante quando contrastado com a tendência de saída observada em outros mercados emergentes. A leitura é de Tatiana Guedes, Gerente de Produtos da InvestSmart XP, que identifica vetores específicos por trás dessa dinâmica aparentemente contraditória.
Guedes lembra que, historicamente, juros mais altos tendem a pressionar investimentos em renda variável, favorecendo resgates em fundos de ações. O fato de o fluxo seguir positivo, portanto, sugere que outros fatores estão influenciando a decisão do investidor. Na avaliação da especialista, dois elementos se destacam: o valuation ainda atrativo das empresas brasileiras, mesmo após a valorização recente da bolsa, e uma percepção de risco relativo mais favorável frente a outros emergentes — o que coloca o Brasil em posição de destaque na comparação regional.
O cenário externo também pesa na equação. A expectativa inicial de um ciclo mais acelerado de queda de juros foi revisada diante do aumento das incertezas geopolíticas, em especial pela extensão do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre a curva longa. “O aumento das incertezas externas trouxe mais cautela ao cenário”, avalia Guedes. Ainda assim, o fluxo não arrefeceu — e a especialista aponta que o movimento tem se concentrado especialmente em produtos passivos e em exposição via índices, refletindo uma preferência por eficiência e menor custo em um ambiente de maior incerteza.
Para Guedes, a combinação entre fundamentos relativamente sólidos, preço ainda acessível e posicionamento favorável frente aos pares emergentes sustenta o interesse pelo mercado acionário brasileiro — mesmo que o ritmo de corte de juros seja mais lento do que o originalmente projetado.










