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Alckmin defende ajuste fiscal em 2027 e critica política monetária como totalmente descalibrada

O vice-presidente se mostrou contrário a revogar a taxa das blusinhas e disse que oito partidos estão encaminhados para a frente de apoio

O vice-presidente Geraldo Alckmin admitiu em entrevista ao Valor que o governo avançou nas contas públicas mas que é preciso ir além, e sinalizou que uma eventual reeleição de Lula em 2026 exigirá ajuste fiscal já no primeiro ano do novo mandato. “Eu entendo que ajuste se faz no primeiro ano”, afirmou, deixando claro que o tema estará no centro da elaboração do programa de governo.

Para Alckmin, contudo, o problema mais urgente não é o fiscal em si, mas a política monetária. “A questão mais premente é juros, a política monetária, que me parece totalmente descalibrada”, declarou, em crítica direta ao nível da Selic que coloca o vice-presidente em rota de colisão com a posição do Banco Central.

Recém-anunciado como vice na chapa pela reeleição, Alckmin disse que a construção da aliança política avança bem. Cerca de oito partidos já estão “mais ou menos encaminhados” para compor a frente de apoio a Lula, com as articulações conduzidas pelo presidente do PT, Edinho Silva. “Estamos otimistas”, afirmou. Na composição da frente entram candidaturas como a da ex-ministra Simone Tebet, recém-filiada ao PSB, e da ex-ministra Marina Silva, da Rede.

Sobre a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, Alckmin foi direto: o ex-ministro tem “chance real” de ser eleito. O vice-presidente governou o estado por quatro mandatos e seu endosso carrega peso político relevante para a disputa estadual.

Na frente econômica, Alckmin se mostrou contrário a revogar a taxa de importação sobre produtos de baixo valor, conhecida como taxa das blusinhas, proposta defendida pela ala política do governo como forma de melhorar os índices de aprovação. Para ele, os baixos índices de popularidade não são problema de comunicação, mas reflexo da avaliação que a população faz do momento econômico.

Sobre a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre os combustíveis, o vice-presidente disse que o governo espera que o conflito termine logo, mas acompanha a situação diariamente e não descarta medidas adicionais caso necessário. Entre as opções em análise estão o aumento da mistura de etanol na gasolina e facilitar o acesso a fertilizantes. Quanto à possível criação de uma estatal para gerir minerais críticos, a chamada Terrabrás, Alckmin afirmou nunca ter ouvido discussões sobre o tema e disse ser cauteloso em relação à concessão de incentivos fiscais para o setor.

A transição no Ministério do Desenvolvimento, que Alckmin deixará para se dedicar à campanha, ainda estava indefinida no momento da entrevista. O presidente Lula escolherá entre o secretário-executivo Márcio Rosa e o ministro do Empreendedorismo Márcio França, que também avalia uma candidatura ao Senado em outubro.

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