A leitura mais recente sobre a economia dos Estados Unidos passou por reavaliação após a revisão do Produto Interno Bruto do quarto trimestre, e, na avaliação de Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, o dado reforça uma mudança relevante no cenário para a política monetária americana. Segundo a especialista, o crescimento de 0,5% sinaliza uma desaceleração mais intensa do que o mercado vinha incorporando.
De acordo com a análise da InvestSmart XP, a revisão do PIB — que anteriormente apontava expansão de 1,4% e chegou a ter expectativa inicial de 2,8% — foi impactada principalmente pela redução nas despesas pessoais, além de ajustes no investimento fixo residencial e nos estoques privados. Para Sara Paixão, esses componentes indicam perda de tração da demanda interna, elemento central para a sustentação do crescimento nos Estados Unidos.
A analista destaca que a reação do mercado após a divulgação do indicador também reforça essa leitura. Enquanto os juros de curto prazo, especialmente os títulos de dois anos, passaram a recuar, as taxas mais longas avançaram, refletindo uma reprecificação das expectativas em relação à trajetória da política monetária do Federal Reserve.
Na avaliação de Sara Paixão, da InvestSmart XP, o cenário tende a se tornar ainda mais desafiador nos próximos meses em função de fatores externos. O avanço dos preços do petróleo, associado a choques de oferta ligados ao ambiente geopolítico, deve exercer pressão adicional sobre a atividade econômica americana no curto prazo. Esse movimento, segundo ela, pode ter efeito baixista sobre o crescimento já nos primeiros trimestres do ano.
Com base nesse conjunto de fatores, a analista avalia que ganha força a possibilidade de ao menos um corte adicional de juros pelo Federal Reserve ao longo de 2026. Ao mesmo tempo, ressalta que o impacto inflacionário do aumento dos custos de energia segue no radar da autoridade monetária, o que pode limitar a velocidade ou a intensidade desse eventual movimento de flexibilização.









