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BTG eleva superávit comercial do Brasil para US$ 90 bi

Petróleo eleva exportações e BTG projeta superávit de US$ 90 bi; déficit externo cai a 2,3% do PIB em 2026

A elevação dos preços internacionais do petróleo passou a influenciar positivamente as contas externas brasileiras, alterando projeções para o setor externo e reforçando o papel da commodity na balança comercial. Relatório do BTG Pactual aponta que o superávit comercial do país deve alcançar US$ 90 bilhões em 2026, acima da estimativa anterior de US$ 75 bilhões. Para 2027, a projeção foi mantida no mesmo patamar.

A revisão reflete uma mudança estrutural no perfil energético do Brasil, que deixou de ser importador líquido de petróleo para se consolidar como exportador. Esse movimento altera a forma como choques nos preços internacionais impactam a economia. No início dos anos 2000, uma alta de US$ 10 no barril do Brent gerava deterioração das contas externas. Atualmente, o mesmo movimento tende a produzir melhora relevante nos indicadores.

Segundo as estimativas do banco, um aumento de US$ 10 por barril pode gerar ganho aproximado de US$ 5,9 bilhões na balança comercial e nas transações correntes. Já uma variação de 10% no preço do Brent implicaria impacto positivo de cerca de US$ 3,7 bilhões, além de contribuir para redução do déficit externo em relação ao Produto Interno Bruto.

O avanço da produção doméstica tem ampliado o volume exportado de petróleo bruto, elevando a receita cambial e compensando o custo maior das importações de derivados, como diesel. Esse movimento já vinha sendo observado desde o fim de 2025 e ganhou intensidade com a recente valorização da commodity no mercado internacional.

Além do petróleo, o cenário também favorece outras commodities exportadas pelo Brasil, o que reforça o saldo comercial. Ainda assim, há efeitos compensatórios, como o aumento dos custos de importação de fertilizantes e do frete internacional, que limitam parcialmente os ganhos.

Mesmo com esses fatores, o saldo permanece positivo. O banco revisou também suas projeções para as transações correntes, estimando déficit de 2,3% do PIB em 2026 e 2027, abaixo dos 3,0% registrados em 2025. O resultado indica maior capacidade de adaptação do setor externo brasileiro diante de oscilações no mercado global de commodities.

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