Destaque
DestaqueEconomiaNotícias

Fim da escala 6×1 pode reduzir Ebitda do varejo em até 15%, aponta Fitch

Proposta de 40h semanais pode reduzir margens do varejo em até 200 bps e afetar setores como farmácias e vestuário

A proposta de redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, com o fim da escala 6×1, pode gerar impacto relevante sobre a rentabilidade das empresas do varejo brasileiro. Avaliação da Fitch Ratings indica que o efeito sobre o resultado operacional pode variar entre 10% e 15% no Ebitda das companhias do setor, acompanhado de compressão de margens entre 100 e 200 pontos-base.

O cenário projetado considera a elevação de custos operacionais decorrente da reorganização das escalas de trabalho, especialmente em segmentos que demandam funcionamento contínuo. Entre os mais expostos estão o varejo farmacêutico, que opera com múltiplos turnos, e redes localizadas em shopping centers, como o setor de vestuário, onde há menor flexibilidade para ajustes de horário. Estabelecimentos de alimentação também tendem a enfrentar pressão adicional, devido à necessidade de operação ao longo de praticamente toda a semana.

As estimativas não incorporam eventuais estratégias de adaptação por parte das empresas, como renegociação de acordos trabalhistas, ajustes no quadro de funcionários ou ganhos de produtividade. A adoção dessas medidas pode mitigar parcialmente o impacto, dependendo da capacidade de cada companhia em ajustar sua estrutura de custos e repassar despesas aos preços finais.

A possibilidade de implementação gradual da mudança, em linha com experiências recentes em países como México e Colômbia, é apontada como fator que poderia reduzir a intensidade dos efeitos no curto prazo. Esse modelo permitiria às empresas um período maior de transição para reequilibrar operações e margens.

O setor varejista já opera em um ambiente de restrição, marcado por juros elevados, endividamento das famílias e expectativa de desaceleração da atividade econômica. Esse contexto limita a capacidade de repasse de custos ao consumidor e amplia os desafios para manutenção da rentabilidade.

Além dos fatores domésticos, riscos externos também permanecem no radar. Tensões geopolíticas, como os desdobramentos no Oriente Médio, podem pressionar custos logísticos e de insumos, com impacto adicional sobre as cadeias produtivas. Ainda assim, a agência destaca que parte das empresas do setor apresenta balanços mais ajustados, resultado de processos recentes de reestruturação operacional, o que pode contribuir para absorver parte dos efeitos projetados.

Postagens relacionadas

1 of 620