O governo central registrou déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março, o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1997, segundo dados do Tesouro Nacional. O desempenho ficou acima das projeções do mercado e contrasta com o superávit observado no mesmo período de 2025, refletindo uma mudança relevante no padrão das contas públicas.
O resultado foi influenciado principalmente pela antecipação no pagamento de precatórios, que concentrou desembolsos em março. As despesas totais somaram R$ 269,9 bilhões, com alta expressiva em relação ao ano anterior, impulsionadas por R$ 34,9 bilhões em sentenças judiciais, além de aumentos em gastos previdenciários e com pessoal. As receitas líquidas, por sua vez, alcançaram R$ 196,1 bilhões, com crescimento moderado na arrecadação tributária e previdenciária.
No acumulado de 12 meses, o déficit chega a R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do PIB. O resultado reforça a pressão sobre o equilíbrio fiscal, ainda que parte do impacto esteja associada a efeitos pontuais de calendário, como a concentração de despesas obrigatórias em um único mês.










